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De ‘homem não chora’ ao medo do exame do toque: os perigos da masculinidade tóxica

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24/11/2021 às 14h33 Atualizada em 28/01/2022 às 14h14
Por: Jussara Prado
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Reprodução/Pixabay
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Em pleno mês de novembro, quando se realiza anualmente a campanha “Novembro Azul” de conscientização dos homens sobre a prevenção do câncer de próstata, o cantor Tiago Iorc nos agraciou com o lançamento do seu mais novo single “Masculinidade”.

Na música, temas como “homem não chora”, “pornografia”, “complexo de superioridade” e muitos outros, são abordados ao redor do “ideal” do que é ser homem na nossa sociedade. 

Um dos alvos de crítica da música é o descuido dos homens com a própria saúde, algo que não é novidade, já que possuímos campanhas como a “Lave o Dito Cujo” promovida pelo Instituto Lado a Lado pela Vida (LAL) com o objetivo de alertar homens sobre a higienização da genitália como prevenção ao câncer de pênis e outras possíveis doenças.

Capaz de ser detectado em estágio inicial através do exame de sangue e de toque, o câncer de próstata é o tipo mais comum entre os homens brasileiros; atrás apenas do câncer de pele, este último que pode ser facilmente prevenido com o uso de protetor solar, mas que muitos homens deixam de usar porque tais cuidados com a pele são “coisas de mulher”.

O exame do toque é causa de muito preconceito entre os homens e alvo de piadas de muito mau gosto. É um exame sério que pode salvar vidas, mas o machismo de muitos não permite enxergar a realidade. 

Além dos descuidos com a saúde física, os homens descuidam também de sua saúde emocional. Acreditam que chorar e falar sobre os sentimentos são comportamentos exclusivamente femininos e que se o fizerem, irão duvidar de sua masculinidade. Por conta desse entendimento, homens passam a vida engolindo o choro e reprimindo suas emoções.

São gerações e mais gerações de homens com dificuldade de falar e de se expressar, não sabendo se relacionar com respeito, educação, amor e carinho, com medo de serem ridicularizados, menosprezados e diminuídos. E com isso nós temos cada vez mais e mais mulheres dentro de relacionamentos abusivos, mulheres que são violentadas não somente com palavras, mas também são machucadas fisicamente e até assassinadas.

É devido a essa masculinidade tóxica que presenciamos os diversos tipos de LGBTfobia na sociedade, tudo o que pode vir a fazer um homem “macho” sentir sua virilidade ou masculinidade ser colocada em xeque, é alvo dos mais variados tipos de violência.

O machismo machuca, o machismo mata, não somente as mulheres e pessoas LGBTQIA +, mas também os homens. As taxas de morte por suicídio são muito maiores entre os homens do que mulheres, já que as mulheres são incentivadas desde cedo a falarem sobre suas emoções e não são ridicularizadas quando choram. “Cuida, meu irmão, do teu emocional, cuida do que é real”.

 

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Jussara Prado
Jussara Prado
Sobre Jussara Prado é Psicóloga Clínica com foco em Autoestima e Relacionamentos. Ajuda as pessoas a desenvolverem autorresponsabilidade sobre suas emoções, sentimentos, escolhas e vivências, alcançando uma maior autonomia e independência emocional.
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