
Moderação de conteúdo da Meta tem falhas recorrentes, diz conselho
Órgão cobra regras mais transparentes para as eleições; empresa respondeu ao TSE sobre reclamações das campanhas.
O Conselho de Supervisão da Meta apontou, em 20 de outubro de 2026, falhas recorrentes na moderação de conteúdo eleitoral da empresa. O órgão citou restrições técnicas que atingiram contas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição, e de seus apoiadores no Brasil, e cobrou regras mais transparentes e consistentes.
A declaração foi divulgada no mesmo dia em que a Meta respondeu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre a distribuição de publicações políticas e os anúncios das campanhas no segundo turno. As campanhas de Lula e de Flávio Bolsonaro apresentaram reclamações sobre o tratamento de seus conteúdos nas plataformas da empresa. O conselho não afirmou que houve interferência eleitoral comprovada.
O que é moderação de conteúdo nas redes sociais
Moderação de conteúdo é a aplicação das regras de uma plataforma a publicações, anúncios e contas. No caso analisado pelo conselho, essas decisões incluem restringir conteúdos, retirar contas de circulação e definir se publicações aparecem em recomendações ou buscas.
Segundo o órgão, problemas podem ocorrer tanto quando as regras são aplicadas com rigor excessivo, restringindo manifestações políticas, quanto quando são aplicadas de forma insuficiente, prejudicando a integridade eleitoral. O conselho defende que os sistemas automatizados considerem o idioma e o contexto político antes de limitar manifestações que não incitem à violência.
O que aconteceu com as contas da campanha de Lula
A conta de anúncios da campanha de Lula foi retirada por uma falha técnica admitida pela Meta, segundo o InfoMoney. Os mecanismos da empresa classificaram equivocadamente um anúncio como possível fraude relacionada a um programa governamental.
A Meta também informou ao TSE que um incidente técnico de alcance global impediu a contabilização de visualizações de publicações em 7 de outubro de 2026, entre 1h50 e 19h49. A empresa afirmou que o problema não teve impacto maior sobre perfis associados a partidos de esquerda. Para o conselho, as restrições que atingiram contas de um candidato e as acusações decorrentes exigem melhorias nos procedimentos internos da plataforma.
O que o TSE determinou à Meta
Em 15 de outubro de 2026, o TSE determinou que a Meta não reduzisse a distribuição de conteúdo político-eleitoral ligado a nenhum dos candidatos do segundo turno. A decisão também impediu restrições de busca e a exclusão desses conteúdos dos sistemas de recomendação, conforme relatou o g1.
A sequência de medidas relatadas durante o segundo turno
- 15 de outubroDecisão do TSETribunal proibiu restrições à distribuição
- 19 de outubroPedido de explicaçõesMeta recebeu prazo de 24 horas
- 20 de outubroResposta e cobrançaMeta respondeu; conselho apontou falhas
Em 19 de outubro de 2026, o ministro Marco Aurélio Bellizze deu à empresa até 24 horas para detalhar as medidas adotadas para assegurar igualdade entre as campanhas. Na resposta enviada ao tribunal no dia 20, a Meta afirmou que trata os conteúdos das candidaturas de forma igualitária e não discriminatória. A empresa reconheceu a possibilidade de erros, como o bloqueio indevido de anúncios autorizados, e disse que trabalharia com o TSE e as campanhas para corrigir eventuais problemas.
O que o conselho cobra da Meta
O conselho quer que a Meta divulgue indicadores capazes de mostrar se suas medidas de proteção das eleições funcionam. O órgão afirma que dados gerais, como a quantidade de anúncios armazenados ou de contas removidas, não permitem avaliar com clareza a eficácia da moderação nem identificar suas falhas.
A cobrança retoma uma recomendação feita após problemas nas eleições presidenciais brasileiras de 2022. Segundo o conselho, a empresa ainda não estabeleceu métricas públicas para medir os resultados de suas ações de integridade eleitoral.
Foto de capa: Borowskki/Wikimedia Commons (Public domain)
