
Museu do Ipiranga é mapeado com tecnologia usada no Coliseu
Escaneamento a laser permite comparar a estrutura do prédio antes e depois da restauração.
Pesquisadores brasileiros e italianos usaram uma tecnologia de escaneamento 3D a laser para mapear o Museu do Ipiranga, em São Paulo. O levantamento, feito durante três semanas entre setembro e outubro de 2026, registrou o prédio por dentro e por fora sem interromper sua rotina.
O objetivo é acompanhar as condições da estrutura após a reforma que deixou o museu fechado por nove anos. A equipe já havia escaneado o edifício entre 2017 e 2018, antes da restauração, e agora poderá comparar os dois registros.
Como funciona o mapeamento
O equipamento portátil emite raios laser e registra, com precisão de milímetros, pontos das paredes, dos pisos e das fachadas. Reunidos em um arquivo digital, os dados permitem identificar desníveis, umidade e pequenos sinais de mofo, segundo os pesquisadores.
O projeto é uma parceria da Universidade de São Paulo (USP) com a Universidade de Ferrara, na Itália. Para não interferir nas visitas, a equipe escaneou espaços maiores, como o Salão Nobre, às segundas-feiras, quando essas áreas não recebem público.
Experiência no Coliseu
O levantamento foi executado por pesquisadores italianos da equipe que aplicou a tecnologia no Coliseu, em Roma. Lá, o trabalho reuniu cerca de 150 terabytes de informações sobre o monumento, que passou por intervenções ao longo dos séculos.
Dados do projeto e dos locais citados no levantamento.
- 20 anosParceria de pesquisaEntre as duas universidades
- cerca de 150 terabytesDados do ColiseuGerados no escaneamento do monumento
- mais de 450 mil itensAcervo do museuObjetos, fotografias e documentos

As duas universidades mantêm uma parceria de pesquisa há 20 anos. Para Marcello Balzani, professor de Arquitetura da Universidade de Ferrara, a interpretação dos dados depende da capacitação dos profissionais, não apenas do equipamento.
Como os dados serão usados
O escaneamento permite criar um modelo tridimensional do museu, chamado de gêmeo digital. Segundo o projeto, esse registro pode ajudar a identificar necessidades de preservação e a simular como o prédio reagiria a temporais mais fortes ou dias de calor intenso.
Construído entre 1885 e 1890, o Museu do Ipiranga guarda mais de 450 mil itens, entre objetos, fotografias e documentos. A comparação dos levantamentos feitos antes e depois da reforma acrescenta ao acompanhamento do edifício um registro detalhado de sua estrutura.
Com informações de g1.
Foto de capa: ProtoplasmaKid/Wikimedia Commons (CC BY 4.0)
