
Dados de Portugal apontam dificuldades de leitura nos primeiros anos escolares
Levantamento citado pelo Observador indica que 25% dos alunos avaliados no 2.º ano liam abaixo do nível de referência.
Em Portugal, 25% dos alunos do 2.º ano avaliados no ano letivo de 2024/2025 liam menos de 51 palavras corretas por minuto, abaixo dos níveis de referência. O dado, publicado em um artigo do jornal Observador, integra um diagnóstico aplicado a mais de 90 mil estudantes.
O texto discute a necessidade de consolidar a leitura e a escrita nos primeiros anos de escola, antes que os alunos passem a depender dessas habilidades para aprender outras disciplinas. Também reúne pesquisas sobre métodos de ensino, uso de telas e escrita à mão, sem apresentar dados sobre estudantes brasileiros.
Indicadores de leitura em Portugal
Segundo o Observador, as provas ModA apontaram níveis muito baixos de proficiência em português em 8% dos alunos do 4.º ano. O artigo também cita o PIAAC, levantamento sobre competências de adultos, segundo o qual quase metade dos portugueses tem dificuldade para ler textos que não sejam curtos.
Indicadores de avaliações diferentes citados pelo Observador
- 25%Leitura abaixo da referênciaAlunos avaliados no 2.º ano
- mais de 90 milDiagnóstico de leituraAlunos do 2.º ano avaliados
- 8%Proficiência muito baixaAlunos do 4.º ano em português
- 22%Formação entre menos proficientesAdultos que participaram no último ano
O mesmo levantamento registra uma diferença na participação em formação no último ano: 22% entre os adultos com menor nível de letramento, ante 80% entre os mais proficientes. Esses indicadores tratam de grupos e avaliações distintos; não medem a trajetória dos mesmos alunos ao longo do tempo.
Ensino da leitura e uso de telas
O artigo cita uma revisão de mais de 300 estudos, publicados entre 1955 e 2018, que considera necessário — embora insuficiente por si só — ensinar de forma sistemática a relação entre sons e letras. Depois da decodificação, o texto aponta fluência, vocabulário e compreensão como etapas do aprendizado da leitura.
Sobre telas, o Observador menciona um estudo com crianças canadenses que associou mais tempo de exposição aos 2 e 3 anos a piores resultados em testes de desenvolvimento posteriores. O artigo registra a recomendação da Organização Mundial da Saúde de evitar tempo de tela sedentário antes dos 2 anos e limitá-lo a uma hora diária dos 2 aos 4 anos.
Escrita à mão
O texto também aborda pesquisas sobre a relação entre movimentos da mão e reconhecimento das letras durante a aprendizagem. Um estudo citado, realizado com eletroencefalograma, encontrou padrões mais amplos de conectividade cerebral durante a escrita à mão do que durante a digitação; o próprio artigo informa que suas conclusões foram debatidas por outros pesquisadores.
Com informações de observador.pt.
Foto de capa: Yann Forget/Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)
