
Justiça suspende tirzepatida manipulada em programa de Urupês; entenda
Decisão provisória impede novas aquisições e o fornecimento da versão manipulada usada pelo município; atendimento contra a obesidade pode continuar com medicamento registrado na Anvisa.
A Justiça de São Paulo manteve suspenso o fornecimento de tirzepatida manipulada no programa municipal de tratamento da obesidade de Urupês, no interior paulista. A medida atinge a contratação da farmácia que produzia os frascos e interrompe novas compras e aplicações desse produto. Segundo a prefeitura, aproximadamente 400 pacientes vinham sendo atendidos.
A liminar foi concedida em 20 de outubro e um pedido de reconsideração do município foi negado em 3 de novembro. Com isso, uma rodada de aplicações prevista para quinta-feira (5) foi cancelada. A administração municipal informou que pretende recorrer e que estuda alternativas para manter a assistência aos pacientes.
O que a decisão suspendeu
O processo questiona o credenciamento e a aquisição de tirzepatida preparada por uma farmácia de manipulação para uso no programa público. A decisão impede novas ordens de fornecimento, empenhos e a dispensação do produto comprado por esse contrato. Foi fixada multa diária de R$ 10 mil em caso de descumprimento, conforme as informações publicadas por UOL e Folha de S.Paulo.
A suspensão não equivale a uma proibição de todo tratamento contra a obesidade no município. A decisão permite que a prefeitura continue o acompanhamento dos pacientes e utilize medicamento regularmente registrado na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), desde que respeite as regras de compra pública e de assistência à saúde.
Por que a tirzepatida manipulada foi questionada
A ação foi apresentada pela Eli Lilly, fabricante do medicamento industrializado Mounjaro. A empresa sustentou que a aquisição de frascos com quantidades padronizadas poderia indicar produção em escala, e não uma preparação individualizada para um paciente específico.
Na decisão, a Justiça apontou indícios de incompatibilidade com as normas sanitárias para preparações magistrais. A Prefeitura de Urupês discorda dessa interpretação e afirma que as doses eram preparadas mediante prescrição individual, com acompanhamento médico e multiprofissional.
A Anvisa estabelece controles específicos para a manipulação de agonistas do GLP-1. Entre eles estão a comprovação da qualidade e identidade do insumo, rastreabilidade da cadeia de fornecimento, testes de controle de qualidade e observância das regras para preparações estéreis injetáveis.
A agência também afirma que a tirzepatida pode ser preparada em farmácia de manipulação quando houver indicação e prescrição de profissional competente, mas alerta que o processo deve seguir os critérios da Nota Técnica 200/2025 e das Boas Práticas de Manipulação. Em fiscalizações anteriores, a Anvisa já suspendeu produtos padronizados e não individualizados vendidos sem a prescrição exigida.
Como funcionava o programa de Urupês
O município iniciou o tratamento gratuito em fevereiro de 2026 para moradores com obesidade e em situação de vulnerabilidade social. A divulgação oficial da Prefeitura de Urupês informou que o atendimento incluía avaliação médica e acompanhamento com nutricionista, psicólogo e educador físico.
O protocolo municipal priorizava pessoas que aguardavam cirurgia bariátrica. Entre os critérios estavam idade mínima de 40 anos — com exceção de pacientes com índice de massa corporal acima de 40 —, tentativa prévia de tratamento sem medicamento e presença de comorbidades, conforme o perfil clínico.
De acordo com a prefeitura, o programa começou com previsão de atender 200 pacientes e depois foi ampliado para cerca de 400. A gestão declarou ter gasto aproximadamente R$ 270 mil; reportagens baseadas nos empenhos municipais apontam valores superiores a R$ 300 mil no contrato questionado. A diferença decorre das formas e datas usadas para contabilizar despesas pagas e empenhadas.
O que acontece com os pacientes agora
A prefeitura afirmou que avalia alternativas, incluindo a compra de medicamento industrializado registrado, mas não anunciou até a madrugada desta sexta-feira (6) um novo cronograma de aplicações. A decisão judicial ainda é provisória e pode ser contestada.
Pacientes atendidos pelo programa devem procurar a equipe municipal responsável antes de alterar o tratamento. A interrupção, a troca de produto ou o ajuste de dose precisam ser avaliados individualmente por profissional de saúde. A Anvisa orienta que medicamentos injetáveis sejam usados somente com prescrição e dentro das condições sanitárias adequadas.
Tirzepatida manipulada não é o mesmo que Mounjaro
Mounjaro é uma marca de medicamento industrializado à base de tirzepatida, com registro na Anvisa. O produto usado pelo município era uma preparação manipulada com o mesmo princípio ativo. Por isso, a expressão “Bolsa Mounjaro”, difundida nas redes sociais, não descreve com precisão o item fornecido pelo programa.
A manipulação de um princípio ativo não é automaticamente ilegal, mas deve cumprir as exigências sanitárias e ser vinculada a uma prescrição individualizada. O ponto central do processo de Urupês é justamente saber se a contratação e o fornecimento adotados pelo município respeitaram esses limites.
O comVc Portal também publicou uma explicação sobre a aprovação da semaglutida oral pela Anvisa, outro tema relacionado ao tratamento da obesidade.
Fontes: Prefeitura de Urupês — início e protocolo do programa; Anvisa — regras para manipulação de agonistas do GLP-1; Anvisa — segurança e prescrição da tirzepatida; UOL — detalhes da decisão judicial; e Folha de S.Paulo — posição do município e situação dos pacientes. Informações verificadas às 4h20 de 6 de novembro de 2026.
Transparência: esta é uma notícia baseada em decisão judicial provisória e em informações oficiais e jornalísticas disponíveis até o horário indicado. A capa é uma ilustração editorial criada com inteligência artificial pelo comVc Portal; não mostra pacientes, marcas ou produtos reais.



