
Santiago Peña anuncia renúncia à Presidência do Paraguai após crise bancária
Mandatário anunciou em vídeo que deixará o cargo para preservar a estabilidade do país; pedido ainda precisa seguir o rito institucional, enquanto o vice Pedro Alliana é apontado como sucessor.
O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou nesta quinta-feira (5) que apresentará sua renúncia ao cargo, em meio à crise política e financeira provocada pelo colapso do Ueno Bank. A decisão foi comunicada em um vídeo publicado pelo próprio mandatário, horas depois de o partido governista passar a apoiar sua saída ou um processo de impeachment.
Peña afirmou que tomou a decisão pensando na estabilidade do Paraguai, na paz social e na preservação das instituições democráticas. Ele também pediu desculpas à população caso tenha falhado, sem assumir responsabilidade direta pela quebra do banco, e disse que a prioridade deve ser garantir a recuperação das economias dos depositantes.
A renúncia foi confirmada por veículos internacionais, entre eles a Associated Press, que publicou uma atualização às 12h52 no horário de Brasília. O anúncio ocorre com o Congresso paraguaio mobilizado para discutir um pedido de julgamento político contra Peña.
O que acontece agora com a Presidência do Paraguai?
O anúncio não encerra sozinho o processo político. A saída precisa ser formalizada e analisada segundo o rito institucional paraguaio. Até a conclusão dessa etapa, Peña continua sendo tratado como presidente em exercício.
O vice-presidente Pedro Alliana é o nome previsto para assumir a Presidência depois da formalização da renúncia. Dirigentes do Partido Colorado indicaram que pretendem conduzir essa sucessão, mas, até a publicação desta reportagem, a posse de Alliana ainda não havia sido oficialmente confirmada.
A crise ganhou força nesta quinta-feira quando setores do próprio Partido Colorado, legenda de Peña, retiraram apoio ao governo. O partido afirmou que apoiaria a renúncia ou, caso ela não ocorresse, o julgamento político no Congresso. A oposição já havia apresentado uma acusação com pedidos de investigação sobre conflitos de interesse, uso de recursos públicos e operações ligadas ao Ueno Bank.
Como a quebra do Ueno Bank levou à crise política?
O Ueno Bank cresceu rapidamente e se tornou um dos maiores bancos digitais do Paraguai. A instituição dizia atender cerca de 2,9 milhões de clientes, em um país com pouco mais de 6 milhões de habitantes. O banco também recebeu depósitos de órgãos e fundos públicos e patrocinou projetos de grande visibilidade nacional.
Em 2 de novembro, o Banco Central do Paraguai decidiu iniciar o processo de resolução da instituição. No comunicado oficial, o regulador informou ter identificado insuficiência no índice de solvência abaixo de 50% do mínimo exigido, após ajustes nos demonstrativos financeiros durante uma etapa de regularização.
Com o início do procedimento, aplicativo, cartões e transferências deixaram de funcionar, e clientes passaram a enfrentar dificuldades para acessar o próprio dinheiro. O Banco Central informou que os depósitos contam com garantia de até 75 salários mínimos paraguaios por pessoa e por instituição, equivalente a 228,3 milhões de guaranis, além de mecanismos para tentar proteger valores que excedam esse limite.
O regulador também anunciou um primeiro pagamento de até 10 milhões de guaranis aos depositantes por meio do Fundo de Garantia de Depósitos. Nesta quinta-feira, o BCP informou que trabalha para pagar verbas trabalhistas aos funcionários do banco nos próximos dias.
Qual era a ligação de Santiago Peña com o banco?
Peña teve participação societária na holding ligada ao Ueno Bank antes de deixar o investimento em março de 2025, segundo a cobertura da Associated Press. A proximidade entre o banco, integrantes do governo e o Partido Colorado passou a ser questionada com mais intensidade depois que a instituição entrou em colapso.
O então presidente também havia nomeado Carlos Carvallo, antigo dirigente da financeira que deu origem ao Ueno, para comandar o Banco Central, responsável pela supervisão do sistema. Carvallo renunciou nesta semana, a pedido de Peña, após a intervenção no banco.
Autoridades paraguaias detiveram executivos do Ueno e abriram investigações sobre possíveis irregularidades. Essas apurações ainda estão em andamento, e as pessoas citadas têm direito à defesa. A decisão do Banco Central de liquidar a instituição, por sua vez, foi baseada oficialmente na insuficiência de solvência e nos ajustes encontrados nas demonstrações financeiras.
Protestos aumentaram a pressão sobre o governo
O bloqueio das contas levou depositantes, aposentados, estudantes e trabalhadores às ruas de Assunção. Manifestantes pediram a saída de Peña e cobraram a devolução do dinheiro mantido no banco. Houve confronto com a polícia durante os protestos, segundo relatos da imprensa internacional.
A mobilização chegou ao Congresso. Deputados da oposição apresentaram uma acusação para abrir o julgamento político, e integrantes da base governista passaram a defender a substituição do presidente como forma de reduzir a instabilidade. A combinação entre pressão popular, risco financeiro e perda de apoio político tornou a permanência de Peña insustentável.
O que ainda não está definido?
Três pontos permanecem em aberto: a conclusão formal da renúncia no Congresso, a data de eventual posse de Pedro Alliana e o tamanho das perdas do Ueno Bank. Também não há um cronograma completo para a liberação de todos os depósitos, especialmente os valores acima da cobertura garantida.
O Banco Central afirma que o problema é específico do Ueno Bank e não representa uma crise generalizada no sistema financeiro paraguaio. O órgão orienta clientes a acompanhar apenas seus canais oficiais e evitar decisões baseadas em rumores.
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Fontes: Associated Press, atualização publicada em 5 de novembro de 2026, às 12h52 no horário de Brasília; Banco Central do Paraguai, comunicado de 3 de novembro; BioBioChile, atualização de 5 de novembro, às 13h19; e DW. Informações conferidas às 13h48 de 5 de novembro de 2026.
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