
Iracema Santos morre aos 99 anos; advogada foi presa durante a ditadura
Professora e jornalista, ela também atuou na defesa dos direitos das mulheres no Piauí.
A advogada Iracema dos Santos Rocha da Silva morreu em 26 de outubro de 2026, aos 99 anos, em Teresina (PI). A Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional Piauí, comunicou a morte. A causa não foi divulgada.
Conhecida como Iracema Santos, ela foi professora, jornalista e procuradora do Estado. Presa e perseguida durante a ditadura militar, recebeu anistia do governo federal em 2015, acompanhada de indenização de R$ 150 mil, segundo o g1.
Quem foi Iracema Santos Rocha da Silva?
Iracema Santos nasceu em Floriano (PI), em 1927, e teve atuação profissional e política no estado. Sua trajetória reúne os seguintes marcos, relatados pelo g1:
Marcos da vida pública e da perseguição política
- 1927Nascimento em Floriano
- 1964Prisão na ditadura
- 1970Eleição para deputadaMandato cassado, segundo pesquisadora
- 2015Anistia federal
| Ano | Marco |
|---|---|
| 1927 | Nasceu em Floriano |
| 1964 | Foi presa durante a ditadura |
| 1970 | Foi eleita deputada federal, segundo pesquisadora |
| 2015 | Recebeu anistia do governo federal |
A historiadora Marylu Oliveira afirmou ao g1 que Iracema disputou a Prefeitura de Teresina nas décadas de 1950 e 1960 e presidiu a Liga Feminina Trabalhista. Segundo a pesquisadora, o mandato de deputada federal obtido em 1970 foi cassado pelo regime militar.
Por que Iracema Santos foi presa na ditadura?
Segundo Marylu Oliveira, os militares acusaram Iracema de comunismo e subversão. A advogada foi detida no 25º Batalhão de Caçadores, em Teresina, onde prestou depoimentos a agentes do regime.
A perseguição não terminou com sua libertação: de acordo com a pesquisadora, Iracema passou a enfrentar restrições impostas pela ditadura, inclusive ao contato com outras pessoas. A OAB do Piauí e a Associação Piauiense dos Procuradores do Estado situam sua prisão em 1964.
Em quais áreas Iracema Santos trabalhou?
Iracema Santos atuou na advocacia, na educação, no jornalismo e como procuradora do Estado. A Associação Piauiense dos Procuradores do Estado informou que ela lecionou na Universidade Federal do Piauí e foi a primeira mulher a presidir a entidade.
Na imprensa, manteve a coluna social “Agenda Nobre”, conforme a OAB do Piauí. As duas entidades também destacaram sua atuação em defesa dos direitos das mulheres.
Foto de capa: Olavomm/Wikimedia Commons (Public domain)



