
Câmera em banheiro de escola: direção de colégio em Cambé tem afastamento pedido
Secretaria de Educação do Paraná proibiu câmeras em banheiros e vestiários da rede estadual; Polícia Civil investiga o caso.
A Secretaria de Estado da Educação do Paraná (Seed-PR) pediu, em 21 de outubro de 2026, o afastamento da direção do Colégio Estadual Cívico-Militar Érico Veríssimo, em Cambé, no norte do estado. O pedido ocorreu após uma estudante encontrar uma câmera no banheiro feminino da escola, em 19 de outubro.
A câmera em banheiro de escola também motivou uma vistoria da secretaria e da Polícia Civil no colégio. Segundo a Seed-PR, uma comissão foi criada para apurar o caso, e uma equipe multiprofissional foi enviada para atender alunos e a comunidade escolar.
Como a câmera foi descoberta?
Uma estudante encontrou o equipamento no banheiro feminino em 19 de outubro de 2026, segundo o g1. No boletim de ocorrência, alunas relataram que já percebiam a presença do objeto havia aproximadamente três anos, mas que a direção o havia apresentado como um sensor de fumaça. Esse período consta do relato das estudantes e ainda está sob apuração.
Na vistoria de 21 de outubro, a polícia apreendeu a câmera, que estava guardada por uma jovem. A Seed-PR informou que não encontrou câmeras nos banheiros durante a inspeção.
Pode ter câmera em banheiro de escola?
Não nas escolas estaduais do Paraná, conforme a Resolução nº 5.206/2026, divulgada pela Seed-PR. A regra proíbe instalar ou usar câmeras em banheiros e vestiários, inclusive equipamentos posicionados fora desses locais que consigam captar imagens de seu interior.
Segundo a secretaria, a proibição reforça orientações da rede sobre a privacidade dos estudantes. O órgão afirma que o descumprimento pode levar à apuração de responsabilidades administrativas, civis e penais, conforme o caso.
O que mostram as imagens do monitoramento?
Uma fotografia do sistema de monitoramento feita por outro estudante mostra, segundo o g1, cabines e espelhos dos banheiros, inclusive do masculino. O colégio confirmou que havia instalado câmeras, mas afirmou que elas apontavam para as entradas e não captavam os espaços usados pelos estudantes dentro dos banheiros.
A instituição também disse que apuraria as circunstâncias do acesso de um estudante ao computador da equipe de monitoramento e da divulgação da imagem. Uma aluna afirmou à RPC que os responsáveis pelos estudantes não assinaram autorização para a captação de imagens nos sanitários.
Câmera em banheiro é crime?
Ainda não há conclusão sobre responsabilidade criminal neste caso. A Polícia Civil informou que instaurou um inquérito e faz diligências para apurar os fatos. A comissão criada pela Seed-PR também deverá esclarecer as circunstâncias da instalação das câmeras e indicar os encaminhamentos cabíveis.
A RPC informou que policiais procuravam outra câmera e o dispositivo usado para gravar as imagens, mas não havia confirmação de que esses itens tivessem sido encontrados.
Foto de capa: Gean Henrique Soares/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)
