
Flávio Bolsonaro é investigado no STF por suspeita de lavagem de dinheiro
Apuração também levou a buscas em endereço de ex-servidor do STJ suspeito de vazar informações ao advogado Willer Tomaz.
O Supremo Tribunal Federal (STF) abriu um inquérito para investigar suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência, e o advogado Willer Tomaz. Em 19 de outubro de 2026, a Polícia Federal (PF) fez buscas em um endereço de Humberto Pradera, ex-secretário do Superior Tribunal de Justiça (STJ) suspeito de repassar informações sigilosas a Tomaz.
Pradera havia sido exonerado do cargo de secretário de Tecnologia da Informação e Comunicação do STJ em 16 de outubro de 2026. Segundo a investigação, ele pode ter antecipado decisões do tribunal ao advogado. O caso chegou ao STF porque Flávio Bolsonaro tem foro privilegiado.
Por que Flávio Bolsonaro é investigado pela PF?
A investigação examina a relação de Flávio Bolsonaro com uma empresa de Willer Tomaz. De acordo com a PF, e-mails encontrados no celular do advogado mostram que o senador foi cadastrado como usuário master de uma conta bancária da empresa.
O relatório policial também menciona encontros entre os dois e viagens do senador pagas pelo advogado. A PF afirma que a movimentação financeira de Tomaz é incompatível com suas atividades econômicas. As suspeitas ainda estão sob investigação.
O que a PF apura no STJ?
A PF suspeita que Humberto Pradera tenha transmitido a Willer Tomaz informações de processos antes de sua divulgação. Os investigadores encontraram no celular do advogado uma foto enviada pelo ex-servidor de um documento que ainda estava sendo produzido no STJ.
A operação autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, apura suspeitas de:
- Corrupção;
- Lavagem de dinheiro;
- Peculato eletrônico;
- Violação de sigilo funcional.
O STJ informou que afastou e exonerou servidores suspeitos de irregularidades e abriu processos administrativos para examinar possíveis infrações.
Por que o caso foi para o STF?
O caso foi encaminhado ao STF em razão do foro privilegiado de Flávio Bolsonaro, senador pelo Rio de Janeiro. A investigação começou na primeira instância da Justiça Federal do Rio Grande do Sul e passou a examinar os dados do celular de Willer Tomaz. A relatoria no Supremo foi sorteada para Alexandre de Moraes.
O que dizem Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz?
A defesa de Flávio Bolsonaro afirma que sua relação com Willer Tomaz é apenas de amizade e nega que essa proximidade indique irregularidade. Também diz que o senador nunca manteve conta na qual Tomaz ou suas empresas fossem usuários master.
Tomaz nega ter obtido acesso irregular a decisões judiciais ou pareceres do Ministério Público Federal e afirma não ter interferido em manifestações. Sua defesa diz desconhecer o relatório da PF citado na reportagem e critica sua divulgação durante a campanha eleitoral.
Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro: qual é a outra investigação?
Flávio Bolsonaro também é investigado em outro inquérito no STF, distinto do caso envolvendo Willer Tomaz. Segundo o g1, essa apuração trata do financiamento, por Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, do filme “Dark Horse”, sobre a trajetória política de Jair Bolsonaro.
Quem é Flávio Bolsonaro e qual é sua formação?
Flávio Nantes Bolsonaro é senador pelo Rio de Janeiro, filiado ao Partido Liberal, e filho de Jair Bolsonaro. Segundo o material biográfico de referência, foi deputado estadual de 2003 a 2019 e eleito senador em 2018. É formado em Direito pela Universidade Candido Mendes.
Foto de capa: Agência Senado/Wikimedia Commons (Attribution)
