
Conta laranja: emprestar conta bancária pode trazer consequências legais
Itaú alerta para ofertas de pagamento pelo uso de contas em fraudes; serviço do Banco Central ajuda a impedir a abertura de contas em nome do usuário.
Ofertas de dinheiro para emprestar ou alugar uma conta bancária podem ser uma forma de recrutar pessoas para movimentar valores obtidos em golpes. Em alerta noticiado em 19 de outubro de 2026, o Itaú Unibanco afirmou que o titular da chamada conta laranja pode enfrentar consequências financeiras e legais, mesmo sem ter aplicado a fraude.
O esquema começa quando criminosos transferem dinheiro de um golpe para a conta de outra pessoa. Segundo o banco, os valores podem passar por várias contas, o que dificulta seu rastreamento e a recuperação do dinheiro.
O que é uma conta laranja e como ela funciona
Conta laranja é a conta de uma pessoa usada por terceiros para receber e transferir dinheiro de origem ilícita. De acordo com o Itaú, golpistas podem oferecer uma remuneração ao titular para usar a conta depois de cometer uma fraude.
O dinheiro também pode ser enviado de uma conta para outra em sequência. Essa movimentação dificulta identificar o caminho percorrido pelos valores.
Emprestar conta bancária é crime?
Emprestar, vender ou alugar uma conta pode gerar responsabilização civil e penal, conforme as circunstâncias e o envolvimento do titular, segundo o Itaú. O alerta não estabelece uma pena única para esses casos: as consequências dependem da participação de cada pessoa no esquema.
Dados do anuário citados pelo Itaú Unibanco
- 2,3 milhõesOcorrências em 2025Estelionato tradicional e digital
- 430%Alta ante 2018
- 26,3 milhõesVítimas estimadasPessoas com mais de 16 anos
O banco cita dados do 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública: o país registrou 2,3 milhões de ocorrências de estelionato em 2025, considerando modalidades tradicionais e digitais. O total representa alta de 430% em relação a 2018.
Como identificar uma proposta de conta laranja
Promessas de dinheiro rápido para usar sua conta são um sinal de alerta. O Itaú também recomenda desconfiar das seguintes solicitações:
- Receber valores e repassá-los a outra pessoa em troca de comissão;
- Compartilhar senhas, cartões, tokens ou acesso ao aplicativo bancário;
- Movimentar dinheiro sem explicação clara sobre sua origem;
- Enviar documentos, fotos ou vídeos, ou fazer reconhecimento facial por links e contatos inesperados.
Segundo o banco, criminosos também podem tentar abrir contas sem o conhecimento da vítima usando dados pessoais, documentos ou registros de reconhecimento facial.
Como impedir a abertura de contas em seu nome
O BC Protege+, serviço gratuito do Banco Central, permite registrar uma restrição preventiva à abertura de novas contas. A proteção também impede que o usuário seja incluído como titular ou representante em contas de terceiros enquanto estiver ativa.
Para ativar ou desativar a restrição, é preciso entrar no serviço com uma conta gov.br de nível prata ou ouro e verificação em duas etapas habilitada. A ferramenta não bloqueia contas já existentes e pode ser desativada pelo próprio titular quando ele precisar abrir uma conta.
O que fazer ao identificar uma conta ou movimentação desconhecida
Quem identificar uma conta ou movimentação que não reconhece deve comunicar imediatamente a suspeita de fraude à instituição financeira envolvida, conforme a orientação citada no alerta. Se receber uma proposta suspeita para emprestar a conta, a recomendação do Itaú é interromper o contato e usar os canais oficiais do banco.
Foto de capa: Banco Central do Brasil/Wikimedia Commons (CC BY 2.0)
