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Ajuste fiscal de 2027: propostas de Lula e Flávio Bolsonaro têm pontos em aberto

Economistas questionam como os candidatos pretendem cumprir metas e promessas para as contas públicas.

As propostas de ajuste fiscal para 2027 de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) chegaram à reta final da disputa presidencial sem explicações suficientes sobre como serão executadas, segundo economistas ouvidos pelo Correio Braziliense. Em 18 de outubro de 2026, a menos de uma semana do segundo turno, os analistas apontaram dúvidas tanto sobre os cortes prometidos por Flávio quanto sobre o custo das medidas anunciadas por Lula.

A campanha de Flávio fala em reduzir gastos entre R$ 200 bilhões e R$ 250 bilhões no início de um eventual governo, ao mesmo tempo que propõe diminuir impostos. Já a proposta orçamentária enviada pelo governo Lula ao Congresso prevê superávit primário em 2027, mas economistas questionam como novas despesas serão acomodadas nas contas públicas.

O que é ajuste fiscal do governo

Ajuste fiscal é o conjunto de mudanças em gastos e receitas usado para tentar equilibrar as contas públicas. Na discussão sobre 2027, as propostas citadas envolvem cortes de despesas, mudanças em regras de gastos e medidas tributárias, mas não há um plano detalhado apresentado pelas campanhas para executar todas elas.

Segundo os economistas ouvidos pelo Correio Braziliense, a dificuldade está em conciliar as promessas com despesas que já comprometem o orçamento. Parte das mudanças apontadas por analistas, como alterações nos pisos constitucionais da Saúde e da Educação, dependeria de uma proposta de emenda à Constituição.

Qual é a proposta de Flávio Bolsonaro para 2027

Flávio Bolsonaro promete um ajuste de R$ 200 bilhões a R$ 250 bilhões no começo do governo e a redução de impostos, incluindo a volta da desoneração da folha de pagamentos. Questionada pelo Correio Braziliense, sua equipe de campanha não detalhou como faria o corte de despesas.

A economista Alessandra Ribeiro, da Tendências Consultoria, avalia que a promessa de preservar o Bolsa Família e os pisos de Saúde e Educação restringe as possibilidades de corte. Sergio Vale, da MB Associados, também questiona a viabilidade do montante anunciado: segundo ele, as despesas obrigatórias, sobretudo as sociais, deixam pouco espaço para uma redução desse tamanho.

O que prevê o orçamento do governo Lula

O projeto de orçamento de 2027 enviado pelo governo Lula ao Congresso prevê superávit primário de R$ 18,6 bilhões, após abatimentos de mais de R$ 64 bilhões em despesas, segundo o Correio Braziliense. A proposta de campanha à reeleição, porém, ainda não detalha medidas de ajuste fiscal nem esclarece inteiramente de onde virão os recursos para custear os anúncios feitos durante a disputa.

InfográficoAs cifras do debate fiscal de 2027

Promessa de corte, previsão orçamentária e estimativa de impacto

R$ 200 bilhões a R$ 250 bilhõ…
Corte prometido por FlávioNo início de um eventual governo
  • R$ 200 bilhões a R$ 250 bilhõesCorte prometidoProposta da campanha de Flávio Bolsonaro
  • R$ 18,6 bilhõesSuperávit previstoProjeto de orçamento de 2027
  • R$ 221 bilhõesDespesas discricionáriasPrevisão para 2027, sem o PAC
  • R$ 43,6 bilhõesImpacto estimadoNovas medidas do governo em 2027
Fonte: Correio Braziliense, com dados do projeto de orçamento e estimativa da Warren InvestimentoscomVc Portal

Felipe Salto, economista-chefe da Warren Investimentos, estima que as novas medidas do governo possam ter efeito fiscal agregado de R$ 43,6 bilhões em 2027 e de R$ 195,6 bilhões até 2030. São estimativas do analista, não valores já executados. Entre as medidas citadas na fonte estão um reajuste de 15% no Bolsa Família, um novo Desenrola, um novo piso para o microempreendedor individual e subsídios para combustíveis.

Quanto espaço há para cortar gastos

A proposta orçamentária prevê R$ 221 bilhões em despesas primárias discricionárias para 2027, sem contar as do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Para 2026, o valor apresentado era de R$ 190,1 bilhões. Despesas discricionárias são aquelas que não têm execução obrigatória.

Vale observa que o corte prometido por Flávio é próximo do total previsto para essas despesas em 2027. Na avaliação dos analistas ouvidos pelo Correio, um ajuste dessa dimensão exigiria mudanças mais amplas nas regras de gastos; nenhuma dessas alterações, porém, foi anunciada como medida definida para o próximo governo.

Foto de capa: Palácio do Planalto from Brasilia, Brasil/Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Tiago da Silva Cândido

Tiago da Silva Cândido é especialista em SEO em Maceió (AL), com atuação em SEO técnico, e-commerce na plataforma VTEX, SaaS e link building. Coordena o link building da AceleraVix e o SEO da D2UN, e já passou por Moskit CRM, Agência FG e Carajás Home Center. Publica conteúdo em mais de 2.000 sites parceiros e é o responsável pelo comVc Portal.