
Rússia intensifica ataques a Kiev e outras cidades ucranianas
Ofensiva com mísseis e drones atinge áreas civis; Moscou afirma mirar instalações militares.
A Rússia intensificou nas últimas semanas os ataques com mísseis e drones contra Kiev e outras cidades da Ucrânia. Escolas, hospitais, áreas comerciais e infraestrutura de transporte estão entre os locais atingidos, segundo a BBC. O governo russo afirma que mira instalações militares e da indústria de defesa.
A escalada ocorre em meio à guerra iniciada com a invasão russa em 2022. Para especialistas ouvidos pela BBC, os ataques buscam dificultar a vida nas cidades e pressionar o governo ucraniano. Moscou não reconhece esse objetivo.
Ataques a áreas civis
Em 8 de outubro, um drone russo atingiu o terreno de uma escola e de um jardim de infância no distrito de Bucha, na região de Kiev. Dias antes, outros ataques haviam atingido uma escola na capital e um centro comercial na região de Odessa, de acordo com a BBC.
O comissário de Direitos Humanos do Parlamento ucraniano, Dmytro Lubinets, afirma que 15.280 civis foram mortos ou feridos em ataques russos de janeiro a agosto deste ano. Segundo ele, o total é 55% maior que o registrado no mesmo período do ano passado. A Rússia sustenta que os edifícios civis atingidos eram usados para produzir ou armazenar armas.
Pontes e rotina em Kiev
Pontes sobre o rio Dnipro, que atravessa Kiev, também se tornaram alvo de ataques. Elas são usadas pelo metrô e pelo trânsito rodoviário entre as duas margens. Peter Dickinson, morador da capital e editor do blog Ukraine Alert, avalia que os drones podem forçar o fechamento das estruturas mesmo sem destruí-las.
Dickinson relata que os ataques agora ocorrem de dia e à noite, interrompendo aulas e o funcionamento de empresas. Para o professor Phillips O’Brien, da Universidade de St. Andrews, não se trata de uma mudança na guerra, mas de uma escalada dos bombardeios contra as cidades.
Impacto sobre a economia
Alertas de ataques aéreos obrigam empresas a suspender atividades. Segundo o ministro da Economia e do Meio Ambiente da Ucrânia, Oleksandr Kravchenko, cada hora de paralisação custa ao país cerca de US$ 45 milhões.
Dados divulgados por autoridades ucranianas citadas pela BBC
- 15.280Civis mortos ou feridosDe janeiro a agosto deste ano
- 55%Aumento ante o ano passadoMesmo período, segundo Lubinets
- US$ 45 milhõesCusto por hora de paralisaçãoEstimativa do ministro da Economia
O’Brien avalia que ataques à infraestrutura de energia podem ampliar as dificuldades da população com a chegada do inverno. Para ele, a pressão sobre os moradores também pode ser uma forma de tentar levar o governo ucraniano a aceitar um acordo nos termos desejados pela Rússia.
Com informações de bbc.com.
Foto de capa: Francisco Anzola/Wikimedia Commons (CC BY 3.0)
