
Regente Feijó completa 95 anos: Ex-alunas relembram momentos vividos nos tempos de colégio
O Colégio Estadual Regente Feijó, conhecido por ser uma grande referência educacional em todo o estado e local onde estudaram muitos personagens da história ponta-grossense, completa 95 anos de existência em 2022. O prédio do colégio, situado na Rua do Rosário, em frente à Praça Barão do Rio Branco, foi inaugurado em 1924, para o funcionamento da Escola Normal de Ponta Grossa. A autorização para funcionamento veio em 21 de fevereiro de 1927 e o nome foi dado em março daquele ano, em homenagem a Diogo Antonio Feijó (1784-1843). Desde 1990, ele é tombado como Patrimônio Cultural do Paraná e um dos marcos da arquitetura da cidade.
Em comemoração aos 95 anos do Colégio Regente Feijó, o comVc entrou em contato com estudantes que passaram pela instituição. Eliana Miguel, que estudou no local entre 1970 e 1974, destaca o estilo dos uniformes e as divisões de turmas. Naquela época, os meninos estudavam de manhã, as meninas de tarde e à noite todos juntos. “Eu estudava no período da tarde, na turma das meninas. O uniforme era tão lindo; era o sapato preto, meias ¾ brancas, camisa branca, saia e gravatas azul marinho”, descreve. “Tinha também o uniforme para Educação Física, que era tênis branco, meias ¾ brancas, saia xadrez azul e camiseta branca, com shorts por baixo. Depois o uniforme do colégio mudou, para camiseta branca e calça comprida azul”, acrescenta Eliana.
Rosângela Rosa estudou no colégio de 1971 a 1977, passando pelo ginásio e pelo grupo científico. Ela comenta que a grade curricular incluía, além de Português, Matemática, Ciências, História e Geografia, disciplinas como Desenho, Moral e Cívica e Trabalhos Manuais. Havia ainda o ensino de línguas estrangeiras, como Francês (1º e 2º anos) e Inglês (3º e 4º).
“Nas aulas, os professores passavam a matéria, explicavam e faziam os alunos irem ao quadro resolver alguns exercícios quando tinham dificuldades”, recorda. “Os professores nos davam a matéria e tinha que ir na biblioteca para fazer pesquisa. Além dos exercícios, trabalhos e tarefas, depois da explicação na aula de História a gente tinha que fazer o caderno de ponto, para colagens de gravuras, sobre temas históricos”, conta Rosângela sobre o sistema de estudo.
Ensino e diversão
Eliana recorda com carinho das aulas, especialmente Educação Física, pois adorava praticar as atividades, sendo em aula ou nas horas livres. “Lembro que fazíamos Educação Física no pátio do colégio e em outras vezes no campo do Guarani ou na quadra do Borell”, diz. “Quando não tinha aula, jogávamos pingue-pongue no chão da sala de aula, porque a sala que a gente estudava era bem grande. A gente riscava o chão ou às vezes na mesa do professor e éramos muito boas no pingue-pongue. Também jogávamos queimada no pátio e dizem que eu era muito boa”, relembra aos risos.
Já para Rosângela, a preferência era por matérias que possuíam um método diferente de fixação dos conteúdos, mas que também passavam por atividades práticas. “Eu gostava de todas as aulas, mais de Geografia, Desenho e Francês, que os professores ‘brincavam’ ao ensinar e era divertido, acho que a gente aprendia mais”, recorda.
Diversão na hora do intervalo
Eliana também guarda lembranças dos recreios da época. “No lanche tinha pipoca, que fazia uma fila enorme para pegar. Na cantina, tinha pão com molho, que a gente sentia o aroma de longe, era muito bom. Foi a melhor época da minha vida, me diverti bastante”, comenta.
Viagem de formatura
Além das aulas e outras obrigações, as memórias do Colégio Regente Feijó remetem Eliana aos momentos vividos durante a adolescência com as colegas de turma. “Quando fizemos a formatura das turmas de 1974, a gente teve uma viagem para Foz do Iguaçu, Paraguai e Argentina. Viajamos em dois ônibus cheios de meninas e as professoras junto”, lembra. “Fomos no sábado, posamos no hotel e passamos o domingo, quando visitamos as Cataratas do Iguaçu, andamos pelas ruas da Argentina, por uma parte, e visitamos as lojinhas do Paraguai”, complementa.
Namoro na adolescência
Os círculos sociais, as amizades e os namoros também destacam essa época para Eliana. “Como as turmas no período da tarde eram só de meninas, nas saídas das aulas formava um paredão de rapazes em volta do Colégio, ali no muro da Igreja do Rosário e na Praça, para esperar a saída das moças. Era muito divertido”, descreve os momentos. “Eu tinha umas colegas que namoravam muito, outras, como eu, não, porque meu pai trabalhava numa alfaiataria ali na esquina da praça e ele me avisou que se eu saísse da aula com namorado, o bicho ia pegar”, brinca.
Ainda nesse sentido, Eliana ainda destaca a relação rígida dos pais, a respeito de namoros na época. “Naquela época a criação era muito dura, a gente tinha que obedecer e tinha medo dos nossos pais, então quando a gente namorava, o namoro tinha que ser bem sério. A gente mais se divertia mesmo, com a situação, era muito bom”, acrescenta.
Amizades eternas
Em meio às lembranças, Rosângela também compartilha o sentimento de união que havia entre as colegas de turma. “Eu tenho saudades dessa época, pois estudei quase todos os anos com as mesmas colegas e até hoje tenho contato com algumas. Não existia competição, todas se ajudavam, ninguém se ofendia com as brincadeiras que eram feitas”, enfatiza. “No Dia dos Professores, alguns deles participavam das festinhas que eram feitas. Na sala de aula era como uma família. Saudades”, salienta.
“Foi uma época que marcou na nossa vida e nós temos um grupo, que chamamos de ‘Eternas Amigas’, que são as que conseguimos manter contato. Algumas já faleceram, outras perdemos o contato, porque mudaram de cidade, mas as demais a gente se encontrou uma vez e foi muito gostoso”, conta Eliana, acrescentando que são relações levadas para toda a vida. “E eu gostaria de mais um reencontro, com outras meninas, mas eu fui no Colégio, pedir a relação de nomes das turmas antigas, mas não acharam e não consegui a lista de nomes”, completa.
Tempos recentes
A ex-aluna Geovana Barrionuevo faz parte de uma geração mais recente que passou pelo no Regente Feijó. Ela cursou o ensino médio na instituição, no período de 2014 a 2017, sendo o primeiro ano no turno da manhã e os outros dois anos no turno da tarde. “Foram três anos ótimos e adorei muito de estudar lá. É uma escola bem grande, com uma estrutura de anos e isso é fascinante. Conheci pessoas muito legais, valeu muito a pena”, comenta.
“Gostávamos de nos reunir no pavilhão quando tinha palestras,de ver a escola toda ficava enfeitada nas festas juninas; adorava passear pelos corredores e imaginar o quanto de alunos já passaram por ali!”, frisa. Além dos aprendizados em aula, Geovana recorda com carinho os momentos fora da sala, como as histórias que os professores e colaboradores do colégio compartilhavam com os estudantes, nas horas livres. “Foi uma experiência ótima ter estudado no Regente, sou grata a todos os professores até hoje por todo o ensinamento”, finaliza.



