
Desmatamento: queda na Amazônia e no Cerrado pode evitar R$ 192 bilhões em danos no Brasil
Estudo da FGV calcula os prejuízos climáticos evitados com a redução da derrubada de vegetação desde 2023.
A redução do desmatamento na Amazônia e no Cerrado entre 2023 e 2026 pode ter evitado até R$ 192 bilhões em danos climáticos à economia brasileira. A estimativa é de um estudo do economista Bráulio Borges publicado pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da Fundação Getulio Vargas (FGV), noticiado em 20 de outubro de 2026.
Para o mundo, o benefício estimado chega a R$ 1,16 trilhão no cenário central da pesquisa. Os valores não representam dinheiro recebido pelo Brasil: são uma estimativa de perdas que podem ter sido evitadas graças à menor emissão de gases de efeito estufa.
O que é desmatamento e por que acontece
Desmatamento é a retirada da vegetação de uma área. No Brasil, entre suas causas estão a abertura de terras para agricultura e pecuária, a extração de madeira, a grilagem, a urbanização e a construção de infraestrutura, conforme o material de referência sobre o tema.
Estimativas para Amazônia e Cerrado no período de 2023 a 2026
- R$ 1,16 trilhãoDanos evitados no mundo
- 22,3 mil km²Área poupada da derrubada
- 1,49 bilhão de toneladasEmissões evitadas
O problema não se limita à perda de árvores: também está associado à redução da biodiversidade e ao aquecimento global. A intensidade e as causas da derrubada variam entre as regiões do país.
Quanto caiu o desmatamento na Amazônia e no Cerrado
Entre agosto de 2025 e julho de 2026, o desmatamento caiu 41,8% na Amazônia e 23,8% no Cerrado, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) usados no estudo. As áreas desmatadas foram de 3.335 km² na Amazônia e 5.516,69 km² no Cerrado, os menores registros desde 1998 e 2001, respectivamente.
A pesquisa também comparou o período de 2023 a 2026 com o ritmo observado entre 2019 e 2022. Nesse exercício, estima que cerca de 22,3 mil km² deixaram de ser desmatados em relação ao que ocorreria se o ritmo anterior tivesse continuado.
Como a queda do desmatamento afeta a economia
A conta da FGV atribui um valor aos danos climáticos associados às emissões que não ocorreram. Segundo o estudo, a redução da derrubada evitou a emissão de 1,49 bilhão de toneladas de gases de efeito estufa entre 2023 e 2026.
Para converter esse efeito em valores monetários, o pesquisador usou o Custo Social do Carbono, indicador dos prejuízos causados pelas emissões. Dependendo do cenário considerado, o benefício estimado para o Brasil vai de R$ 67 bilhões a R$ 192 bilhões; no mundo, varia de R$ 621 bilhões a R$ 9,8 trilhões.
Como o desmatamento afeta as chuvas e o clima
As florestas armazenam carbono e ajudam a limitar o aquecimento global. Na Amazônia, também fornecem umidade a correntes atmosféricas que alcançam o Centro-Oeste, o Sudeste e o Sul, fenômeno conhecido como rios voadores.
O estudo aponta que a perda de floresta pode reduzir as chuvas ligadas a esse processo. Seus cálculos econômicos, porém, não incluem os efeitos regionais do desmatamento sobre chuva, temperatura e disponibilidade de água — fatores que afetam a agropecuária, a geração hidrelétrica e o abastecimento urbano.
Foto de capa: Phil P Harris./Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.5)
