
Trabalho escravo: 12 empregadores da Zona da Mata e Vertentes estão na lista suja
Cadastro do Ministério do Trabalho e Emprego reúne casos ligados a 49 trabalhadores; um empregador entrou na atualização de outubro.
Doze empregadores de dez cidades da Zona da Mata e das Vertentes, em Minas Gerais, constam na chamada lista suja do trabalho escravo. Segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) divulgados pelo g1 em 27 de outubro de 2026, os casos na região envolvem 49 trabalhadores submetidos a condições análogas à escravidão.
Na atualização de outubro de 2026, entrou no cadastro um empregador do setor de hotelaria de Simão Pereira. Os outros 11 já figuravam na lista desde atualizações feitas entre abril de 2025 e abril de 2026. Para denunciar trabalho escravo no Brasil, é possível usar o Sistema Ipê, sem se identificar.
Trabalho escravo no Brasil em 2026: quais atividades aparecem
A produção de carvão concentra 43 dos 49 trabalhadores ligados aos casos da Zona da Mata e das Vertentes, de acordo com o MTE. Os demais aparecem em quatro atividades:
Dados do cadastro de empregadores divulgados em outubro de 2026
- 10Cidades com registros
- 43Produção de carvãoTrabalhadores ligados a essa atividade
| Atividade | Trabalhadores |
|---|---|
| Produção de carvão | 43 |
| Pecuária | 2 |
| Trabalho doméstico | 2 |
| Cultivo de café | 1 |
| Hotelaria | 1 |
Minas Gerais teve 19 empregadores incluídos na atualização de outubro, o maior número entre os estados, segundo os dados divulgados pelo g1. Esse total se refere às novas inclusões no estado, não apenas aos registros da Zona da Mata e das Vertentes.
Como denunciar trabalho escravo anonimamente
A denúncia pode ser feita sem identificação pelo Sistema Ipê, canal específico para casos de trabalho análogo à escravidão. Lançado em maio de 2020, ele foi criado pela Secretaria de Inspeção do Trabalho em parceria com a Organização Internacional do Trabalho.
- Acesso: entre no Sistema Ipê.
- Relato: forneça o maior número possível de informações sobre o caso.
- Análise: a fiscalização avalia o relato e, se necessário, faz verificações no local.
O que é a lista suja do trabalho escravo
A lista suja é um cadastro público de empregadores responsabilizados administrativamente por submeter trabalhadores a condições análogas à escravidão. Divulgado pelo Ministério do Trabalho desde 2003, ele é atualizado nos meses de abril e outubro.
A inclusão não ocorre no momento da fiscalização. Se auditores encontrarem trabalhadores nessas condições, lavram um auto de infração, que dá origem a um processo administrativo com direito à defesa. O empregador só entra na lista após uma decisão definitiva, sem possibilidade de recurso; permanece por dois anos e só sai se não houver novos casos e sua situação estiver regularizada.



