
Política externa brasileira: Lula e Flávio Bolsonaro divergem sobre relação com os EUA
Aliados do presidente projetam mais acordos bilaterais; senador defende aproximação com Washington.
A política externa brasileira pode seguir caminhos distintos após a eleição presidencial de 25 de outubro de 2026. Segundo reportagem publicada pelo Metrópoles em 20 de outubro, integrantes do governo Luiz Inácio Lula da Silva projetam mais negociações diretas com outros países em um eventual novo mandato, enquanto o senador Flávio Bolsonaro sinaliza maior alinhamento aos Estados Unidos.
A mudança de estratégia discutida por aliados de Lula não significaria adesão automática à agenda de Washington. Já Flávio declarou que pretende aproximar o Brasil de uma iniciativa do governo Donald Trump para a América Latina. As propostas dependem do resultado da eleição e, no caso de Lula, são projeções de interlocutores ouvidos pela reportagem.
O que é a política externa brasileira
A política externa brasileira reúne as decisões e negociações do país com outros governos e organismos internacionais. Ela abrange relações políticas, comerciais, econômicas e culturais, além de assuntos consulares, segundo o material de referência sobre as relações internacionais do Brasil.
A Constituição de 1988 estabelece princípios para essa atuação, entre eles a não intervenção, a cooperação internacional e a solução pacífica de conflitos. Esses princípios orientam as escolhas diplomáticas, mas cada governo define suas prioridades.
Como a política externa do Brasil é definida
O presidente da República estabelece as prioridades da política externa, com o apoio do Ministério das Relações Exteriores, conhecido como Itamaraty. O ministério assessora o Executivo e conduz atividades como representar o Brasil e negociar com outros países, conforme o material de referência.
Ao Congresso Nacional cabem atribuições como aprovar tratados internacionais e os nomes indicados pelo presidente para chefiar embaixadas. Assim, a condução das relações externas é responsabilidade do Executivo federal, com participação do Legislativo nas decisões previstas pela Constituição.
Quais mudanças aliados de Lula projetam
Aliados de Lula projetam maior atenção a acordos bilaterais, negociados diretamente com cada país, caso ele seja reeleito. Ao Metrópoles, integrantes do governo disseram avaliar que fóruns multilaterais podem perder força, o que exigiria outra forma de buscar parcerias.
A projeção contrasta com a prioridade dada por Lula, desde seu retorno à Presidência em 2023, à retomada de espaços regionais como a Unasul e a Celac. Segundo os interlocutores ouvidos, a eventual mudança de método preservaria a busca por autonomia do Brasil, sem alinhamento automático aos Estados Unidos.
Qual é a proposta de Flávio Bolsonaro
Flávio Bolsonaro sinaliza uma política externa mais próxima de Washington e de governos conservadores. Pessoas ligadas à elaboração de suas propostas disseram ao Metrópoles, sob reserva, que ele poderia adotar uma postura mais pragmática que a de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
O senador já afirmou que, se eleito, pretende aderir ao Escudo das Américas, iniciativa dos Estados Unidos voltada à cooperação regional no combate ao crime organizado transnacional. Segundo a reportagem, o Brasil não foi convidado a integrar o projeto durante o governo Lula.
Como pode ficar a relação com os Estados Unidos
A relação com os Estados Unidos deve ganhar atenção nos dois cenários, mas com prioridades diferentes. Integrantes do governo Lula ouvidos pelo Metrópoles consideram a relação com a administração Trump um tema sensível para um eventual novo mandato, apesar da boa relação entre os dois presidentes apontada por esses interlocutores.
Flávio, por sua vez, já demonstrou interesse em reforçar a aproximação com Donald Trump. A diferença central, de acordo com os planos e declarações reunidos pela reportagem, está entre negociar com Washington preservando a autonomia brasileira e dar maior peso ao alinhamento com a agenda do governo americano.
Foto de capa: Palácio do Planalto from Brasilia, Brasil/Wikimedia Commons (CC BY 2.0)
