
Abstenção eleitoral em 2026: 1,8 milhão não votaram no RS no primeiro turno
Campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro tentam atrair os eleitores ausentes para o segundo turno de 25 de outubro.
A abstenção eleitoral no primeiro turno de 2026 deixou 1,8 milhão de eleitores do Rio Grande do Sul fora das urnas. A menos de uma semana do segundo turno, marcado para 25 de outubro de 2026, as campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) tentam convencer parte desse grupo a votar, segundo informações dos comitês regionais publicadas pela GaúchaZH.
Os dois lados escolheram focos diferentes. A campanha de Lula pretende atuar sobretudo em grandes cidades onde ele teve boa votação no primeiro turno; a de Flávio mira municípios onde o candidato ficou atrás do petista. Pelotas, Rio Grande e a Região Metropolitana de Porto Alegre estão entre as áreas de disputa.
O que significa abstenção eleitoral
Abstenção eleitoral, nos índices citados pela reportagem, é o não comparecimento do eleitor à votação. Votos em branco e nulos não entram nessa contagem de ausentes, embora, em um sentido mais amplo, também possam representar uma decisão de não escolher um candidato, conforme o material de referência sobre o tema.
Onde a abstenção foi maior no Rio Grande do Sul
Cidreira registrou a maior taxa de ausência citada pela GaúchaZH no primeiro turno, com 31,7% dos eleitores. Rio Grande ficou entre os dez municípios com maior abstenção, enquanto Barra do Rio Azul teve uma das menores taxas mencionadas na reportagem.
Números de ausências nas urnas em 2026
- 1,8 milhãoAusentes no estadoPrimeiro turno
- 31,7%Taxa em CidreiraMaior índice citado
- 255 milAusentes em Porto AlegrePrimeiro turno
| Local | Abstenção no primeiro turno de 2026 |
|---|---|
| Cidreira | 31,7% |
| Rio Grande | 27,36% |
| Porto Alegre | 23,9% |
| Rio Grande do Sul | 21,3% |
| Barra do Rio Azul | 10,3% |
Em números absolutos, a ausência correspondeu a 41 mil eleitores em Rio Grande e 255 mil em Porto Alegre, de acordo com a reportagem. As maiores taxas se concentraram, em geral, em municípios do Litoral Norte e da Metade Sul.
Quem faltou no primeiro turno pode votar no segundo?
Sim. A ausência no primeiro turno não impede o eleitor de participar da votação de 25 de outubro, segundo a orientação divulgada pela coordenação estadual da campanha de Lula. O grupo de eleitores que não votou na primeira etapa é justamente um dos públicos que as duas candidaturas tentam mobilizar.
Como Lula e Flávio Bolsonaro tentam atrair os eleitores ausentes
A campanha de Lula concentra esforços nos 30 maiores colégios eleitorais gaúchos, com atenção a locais onde o presidente já recebeu mais votos, informou o coordenador estadual Edegar Pretto. O partido também produziu orientações para estimular o comparecimento, inclusive para pessoas com mais de 70 anos, que não são obrigadas a votar.
Aliados de Flávio Bolsonaro, por sua vez, buscam ampliar a votação do candidato em cidades vencidas por Lula, como Pelotas e Rio Grande, segundo fontes da campanha ouvidas pela GaúchaZH. Entre as ações relatadas estão bandeiraços e distribuição de adesivos. Pesquisas citadas pela reportagem apresentam resultados diferentes sobre a preferência de quem não votou; por isso, não é possível afirmar qual candidatura ganharia mais com a queda da abstenção.
O que se sabe sobre as causas da abstenção
Não há uma causa única identificada para as ausências no primeiro turno gaúcho. À GaúchaZH, o cientista político Carlos Borenstein apontou como possibilidade uma mobilização menor das campanhas em regiões com menos eleitores, sem apresentar essa hipótese como explicação definitiva.
Segundo a reportagem, o Litoral e o Sul do estado, incluindo a Fronteira Oeste, também se destacaram pelos índices de ausência no primeiro turno de 2022. A repetição desse padrão regional, porém, não determina quantos eleitores irão às urnas em 25 de outubro de 2026.
Foto de capa: Palácio do Planalto from Brasilia, Brasil/Wikimedia Commons (CC BY 2.0)
