
Queimadas no Amazonas cobrem cidades de fumaça e elevam atendimentos
Estado registra mais de 1,9 mil focos em outubro; autoridades investigam a origem dos incêndios.
O Amazonas registra mais de 1,9 mil focos de incêndio em outubro, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) divulgados pelo g1. A fumaça cobre municípios do estado, levou à suspensão de aulas e aumentou a procura por atendimento de saúde.
Manaus está sob uma névoa de fuligem, enquanto Careiro da Várzea, Itacoatiara, Parintins e Autazes enfrentam a situação mais crítica, segundo a reportagem. Equipes combatem as chamas, e autoridades investigam a ação humana como possível origem dos incêndios.
Combate e investigação
Em Autazes, brigadistas abrem caminhos pela mata para alcançar os focos. Aviões despejam água nas áreas de maior calor, drones com câmeras termais ajudam a localizá-las e helicópteros levam equipes a pontos isolados. O deslocamento pela floresta e a fumaça dificultam o trabalho, relatam integrantes das equipes.
O presidente do Ibama, Jair Schmitt, afirma que praticamente todos os incêndios florestais em curso no estado têm origem humana. A suspeita de crime ambiental, porém, não identifica os responsáveis por cada foco. Em toda a Amazônia, o Inpe registrou quase 10 mil focos de calor desde o início do mês.
Fumaça pressiona atendimento em Autazes
A rede de saúde de Autazes atende moradores com tosse, falta de ar e cansaço, segundo o médico Luciano Bernardo Soares Matos. O secretário municipal de Meio Ambiente, Walter Pereira, informou que o hospital e as unidades básicas de saúde estão funcionando com capacidade total de atendimento diante das dificuldades respiratórias relatadas pela população.
Registros de outubro e impacto no atendimento de saúde em Autazes
- mais de 1,9 milFocos no AmazonasIdentificados em outubro
- quase 10 milFocos na AmazôniaDesde o início do mês
- mais de 200%Atendimentos respiratóriosAumento em Autazes ante o mesmo período do mês anterior

Segundo o secretário municipal de Saúde, Rainer Figueiredo, os atendimentos respiratórios cresceram mais de 200% em relação ao mesmo período do mês anterior. Ele informou que a média diária passou de um ou dois pacientes para nove ou dez. Moradores também relatam irritação nos olhos e evitam sair por causa da fumaça.
Fogo atinge comunidade indígena
Na Aldeia São Félix, o avanço das chamas atingiu uma área usada pela comunidade Mura para caça e plantio. O tuxaua Ilair Mura relata que moradores inalaram fumaça e que a proximidade do fogo provocou medo e crises de ansiedade.
Ilair também lamenta a perda de áreas de onde a comunidade retira alimentos. Segundo ele, a terra tem valor material e espiritual para os moradores, pois abriga locais onde seus ancestrais foram enterrados.
Com informações de g1.
Foto de capa: Dnsantos/Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)
