Professores poderão entrar em greve e não retomar as atividades presenciais

 Professores poderão entrar em greve e não retomar as atividades presenciais

Governo mantém retomada de atividades presenciais, mesmo em meio ao colapso na saúde pública; professores(as) e funcionários(as) manterão escolas fechadas

Das assessorias

O presidente da APP Sindicato, Hermes Leão, reafirmou nesta quinta-feira a greve de professores(as) e outros trabalhadores(as) da Educação na próxima segunda-feira (15), caso o Governo do Paraná insista em impor a volta às aulas presenciais. Leão participou de entrevista coletiva on line, junto com Lucas Ferrante, cientista coordenador de um estudo que aponta o descontrole da epidemia de Covid 19 em Curitiba, alertando para uma terceira onda da doença que elevará o número de mortes para até 100 por dia no começo de abril. “Se o governador não recuar, teremos a Greve pela Vida. Estamos juntos com muitos prefeitos que têm esse mesmo entendimento de que é impossível voltar às aulas presenciais nesse momento”, afirmou Leão.

Ferrante avalizou a decisão pela greve, considerando as projeções do modelo computacional SEIR que apontam descontrole da epidemia em Curitiba. “A situação é crítica. De forma nenhuma é hora de mandar as crianças para a escola”, disse. Ele coordenou estudo que indica uma terceira onda da Covid 19 em Curitiba nas próximas semanas, quatro vezes pior que as duas anteriores, que tiveram picos de 20 mortes por dia na Capital. Se o isolamento social não aumentar, teremos uma quarta onda em julho.

A decisão do Governo de forçar o retorno às aulas presenciais desconsidera as evidências de agravamento da epidemia, avaliando que vale a pena correr o risco de expor todas as comunidades escolares ao coronavírus no momento de explosão no número de pessoas aguardando leitos de UTI em todo o Paraná. “A APP atua para que o governador Ratinho Jr suspenda a retomada das aulas presenciais na semana que vem”, disse Leão.

A APP pediu a Lucas Ferrante, que é cientista do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) para fazer um estudo semelhante ao realizado em Curitiba abrangendo todo o Paraná. “Essas pesquisas regionalizadas vão nos dar um quadro real da situação em todo o Estado”, explica Leão. O trabalho deve estar pronto daqui a duas semanas.

Segundo Leão, a greve aprovada para o dia 15 é diferente  de todas as outras, pois vai além dos interesses da categoria para assumir uma dimensão mais ampla de defesa da Vida. “Essa é uma luta bem maior, que envolve os interesses de toda a sociedade”, afirma. “Não temos posição a priori contra a volta às aulas presenciais, mas está muito claro que neste momento não há segurança para as comunidades escolares”, acrescenta.

A APP defende que as aulas continuem no mesmo modelo do ano passado, com aulas à distância. “Ao contrário do que diz o Governo, nossa categoria trabalhou e muito em 2020, em condições mais cansativas que nas aulas presenciais, com a rotina familiar se misturando à profissional. Fizemos todo o esforço necessário para conter a evasão escolar e superar às dificuldades que esse período colocou”, relata Leão.

Escolas públicas e particulares devem estar fechadas até que tenhamos segurança para a abertura, defende a APP. “Não é possível que o governador Ratinho Jr e o secretário empresário Renato Feder, que têm mentido reiteradamente sobre as condições nas escolas, continuem nesse nível de negacionismo violento”, diz o presidente da APP.

Lucas Ferrante criticou abertamente a reação da Prefeitura de Curitiba ao estudo que ele coordenou. A administração municipal também enveredou pelo caminho do negacionismo, tentando desqualificar o trabalho do Inpa alegando equivocadamente que o modelo prevê a disseminação do coronavírus em progressão geométrica, o que não corresponde à realidade. “A Prefeitura mentiu. O modelo que utilizamos é a ferramenta básica em epidemiologia adotada em todo o mundo. Esse modelo que usamos é o correto, não o que a Prefeitura usa”, disse.

Segundo Ferrante, é consenso entre cientistas que a volta às aulas presenciais não deve ocorrer quando a localidade está em fase de transmissão comunitária do vírus. O aumento da circulação de pessoas numa comunidade com baixos graus de vacinação, estimulado pelo Governo, pode levar ao surgimento de variantes do vírus resistentes às vacinas, alerta o cientista. “Isso pode colocar em cheque estratégias globais de controle da pandemia”, avisa.

Informações e imagens: Divulgação/APP Sindicato

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