Prefeitos dos Campos Gerais pedem apoio para volta às aulas na rede municipal

 Prefeitos dos Campos Gerais pedem apoio para volta às aulas na rede municipal

Também foram discutidos os custos com o transporte escolar e suas adequações para atender os Colégios Cívico-Militares

Das assessorias

O retorno escolar nos municípios durante a pandemia do Coronavírus, os custos com o transporte escolar e suas adequações para atender os Colégios Cívico-Militares. Essas foram as questões levantadas por prefeitos e secretários durante reunião realizada em Castro no Parque de Exposições Dario Macedo com a Associação dos Municípios dos Campos Gerais (AMCG) e Associação dos Municípios do Centro Sul do Paraná (Amcespar). “Queríamos propor um retorno que convergisse com todos os municípios, independente das discussões locais, expôs o presidente da AMCG, prefeito de Castro, Moacyr Fadel. 

Para responder as questões destacadas pelos gestores foram chamados o secretário estadual da Educação, Renato Feder, o diretor-presidente do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Educacional (Fundepar), Alessandro da Silva Oliveira, e a chefe do Núcleo de Educação de Ponta Grossa, Luciane Sleutjes. Com suspeita de covid-19, o secretário do Estado não pode comparecer. “Foi muito importante ouvir todas as demandas e verificar que os gestores estão preocupados com a sua população”, avalia o diretor da Fundepar. Sobre a principal questão apontada, a defasagem do repasse para o custeio do transporte escolar estadual, Oliveira adiantou que vem sendo debatido junto à Pasta da Educação. “Estamos estudando um incremento. Não sei precisar quanto nem quando. Mas está em análise”, garantiu. 

Questão já definida é o adiantamento do primeiro repasse (são dez anuais), que até o último ano era realizada no final do mês de fevereiro. “Será feito nesta sexta-feira”, garante o diretor-presidente.

Para os prefeitos, além do problema crônico dos valores discrepantes dos gastos municipais em relação ao repasse do estado, é o aumento do custo devido a implantação dos colégios cívico-militares. “Os horários é que são diferenciados, a quantidade de alunos do estado seguirá o mesmo”, explica a chefe do Núcleo. 

Em Tibagi, por exemplo, maior município de extensão territorial do Paraná, os custos com o transporte escolar consomem mensalmente R$ 400 mil. Com a implantação do colégio militar passará para R$ 500 mil, e o valor repassado pelo Estado é de R$ 60 mil. “Temos mais de 60 linhas de transporte escolar, algumas com 50 quilômetros de estrada rural”, contou o prefeito Arthur Nolte, o Butina, solicitando auxílio do Estado. A região dos Campos Gerais conta com diversos dos seus municípios entre os maiores do Estado e com dezenas de linhas escolares que passam por suas estradas rurais. “Além do transporte, haverá problemas para o retorno das aulas devido a manutenção destas estradas”, afirmou o prefeito de São João do Triunfo, Abimael do Vale.

Já o presidente da Amcespar, prefeito de Inácio Martins, Júnior Benato, questionou se todos os municípios conseguirão retornar com as aulas presenciais, após o aceno do Estado de retorno no dia 1º de março. “Inclusive temos que parabenizar o presidente da AMCG por pautar assuntos pertinentes a todos os municípios do Estado”, disse, destacando que os municípios, principalmente os pequenos, não contam com os instrumentos necessários ao retorno escolar, como os professores dos colégios militares (números insuficientes), o transporte escolar (com custeio defasado) e também a capacidade de enfrentamento da pandemia entre os professores (muitos deles afastados por comporem grupos de risco).

Prefeito de Rebouças, Luiz Everaldo Zak, comentou sobre o momento ímpar que os gestores estão enfrentando e solicitou incremento no transporte escolar, principalmente para os municípios que irão contar com os Colégios Cívico-Militares. “Podíamos pensar, ao menos, no custeio de metade do transporte por parte do Estado”, avalia. Zak lembrou que no último ano o Governo não realizou os repasses. “Agora poderia haver uma compensação, um repasse adicional. E, na sequência,  gradativamente, recompor o prejuízo em benefício da educação”, destaca.

Ainda sobre o retorno das aulas, os municípios de Carambeí e Piraí do Sul adiantaram que ainda não tem definição sobre a data. “Carambeí não retornará agora com as aulas presenciais. Montamos um comitê para debater a volta às aulas, chamando a comunidade para debate. Por enquanto não temos condições sanitárias para receber os alunos”, afirma a prefeita Elisângela Pedroso, contando que a forma híbrida vem sendo estudada.

Para a chefe do Núcleo de Educação de Ponta Grossa, mesmo com as dificuldades apresentadas, o retorno precisa ocorrer. “É indispensável”, alega, comentando a situação de vulnerabilidade que as crianças e jovens estão passando neste período de pandemia. “As crianças já passaram um ano com atendimento remoto. O distanciamento da escola gera mais vulnerabilidade. São alunos desistindo, crianças sendo abusadas ou sozinhas em casa, já que os pais precisam trabalhar”, exemplifica.

Municipalismo

Durante a reunião desta quarta, o presidente da AMCG adiantou que já agendou previamente uma reunião com o governador do Estado, Carlos Massa Ratinho Junior. “A Associação entrará em contato com todos os prefeitos da região para coletar as pautas municipalistas e as levarmos até o Estado”, antecipa. Fadel garantiu que as próximas reuniões da Associação seguem de forma itinerante, para que todos possam conhecer, um pouco, da realidade local de cada um dos gestores.

Informações e imagens:Divulgação/AMCG

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