Paraná tem um dos maiores potenciais do país para gerar energia através do lixo urbano

 Paraná tem um dos maiores potenciais do país para gerar energia através do lixo urbano

Especialista comenta o cenário do estado e como Ponta Grossa pode ser aproveitada com esses recursos

Por Cícero Goytacaz

O Estado do Paraná aparece entre os grandes centros do Brasil com maior potencial para o reaproveitamento de energia através do lixo urbano. A capital Curitiba, segundo o Censo de 2019, possui hoje cerca 2 milhões de habitantes. De acordo com a Associação Brasileira de Recuperação Energética de Resíduos (ABREN), cada habitante gera por dia uma média de 730g de lixo, o que significa que a cidade produz quase 1.500 toneladas de lixo por dia e perto de 515.470 toneladas por ano.

“O sistema de geração de energia com resíduos sólidos urbanos é uma tecnologia consolidada, reconhecida em grande parte do mundo. O Brasil tem potencial enorme para reaproveitamento energético, mas existe um mito que a incineração do lixo é prejudicial, que queimar o lixo é poluir o ambiente, isso não é verdade”, frisa Rubens Herbert Aebi, vice-presidente da ABREN.

De forma resumida, o processo de recuperação energética consiste em usinas capazes de gerar eletricidade e/ou calor diretamente através da queima dos resíduos urbanos. Elas também  produzem um combustível, como metano, metanol, etanol ou combustíveis sintéticos.

Rubens explica que esse tipo de usina é viável em grandes centros, com média de pelo menos 600 mil habitantes. Atualmente, Ponta Grossa possui pouco mais de 350 mil habitantes. “Ponta Grossa deve gerir por dia mais ou menos 300 kg de lixo. Dá para realizar outro tipo de aproveitamento energético, é uma questão de CDR (geração energética a partir do Composto Derivado de Resíduos, utilizado em cimenteiras e caldeiras de produção de energia), ou aproveitamento de biogás, que a cidade tem potencial para isso”, comenta o especialista.

O trabalho feito pela ABREN visa abrir o mercado brasileiro de energia às tecnologias internacionais de reaproveitamento. “Os países que mais incineram o lixo são aqueles países que mais reciclam, pois é um sistema que exige uma responsabilidade maior com as políticas ambientais, exige da população uma conscientização maior”, atribui.

Sustentabilidade e meio ambiente

De acordo com Rubens, a (ABREN) tem como objetivo fomentar a recuperação energética de resíduos, resolvendo simultaneamente dois grandes problemas atuais do Brasil e do mundo: a destinação dos resíduos sólidos e a geração de energia limpa. “Uma usina dessas vai diminuir o quilo de lixo produzido e não contém poluentes. Aqui no Brasil entendem que o aterro sanitário é a solução mais adequada, mas não é. Temos exemplos, como o aquífero Guarani, que abrange aqui a região sul, e está sendo poluído por resíduos de lixão”, complementa.

Ele reforça ainda que a os resíduos, produzidos em quantidades cada vez mais monumentais, estão danificando o meio-ambiente, a biodiversidade e a saúde pública, passou a ter uma solução, o da recuperação energética. “Nós na ABREN temos uma perspectiva de melhora no futuro, trabalhamos ativamente para isso, existem empresas interessadas em entrar no mercado brasileiro. A compra de energia elétrica renovável, que nunca teve no Brasil, será um grande avanço em nossa história”, conclui.

Imagens: Divulgação/Abren

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