
Javier Milei prepara corte de mais 20 mil postos no serviço público argentino
Plano de demissão voluntária começa em novembro; sindicato anuncia protesto contra a medida.
O governo de Javier Milei anunciou em 19 de outubro de 2026 um plano de demissão voluntária para reduzir em até 20 mil postos o quadro da administração pública da Argentina. A medida faz parte da política de corte de gastos adotada pelo presidente.
O programa começa em 1º de novembro de 2026 e deve durar um mês. Segundo o decreto publicado pelo governo, o objetivo é distribuir os recursos públicos de forma mais eficiente. A Associação de Trabalhadores do Estado (ATE) anunciou uma marcha contra o plano.
Como funciona o plano de demissão voluntária?
Os funcionários que aderirem receberão pagamentos definidos conforme a idade e o tempo de serviço, de acordo com apuração da AFP. A fonte não informa valores nem detalha como será feita a adesão. Quem participar ficará impedido de voltar a trabalhar na administração pública por oito anos.
A ATE rejeita a classificação de desligamento voluntário. O secretário-geral do sindicato, Rodolfo Aguiar, chamou a medida de “demissão extorsiva” em uma publicação na rede social X.
Quantos empregos públicos foram cortados no governo Milei?
O governo argentino já eliminou mais de 77 mil postos desde que Milei assumiu a Presidência, em dezembro de 2023. Em dados divulgados em setembro de 2026, o ministro Federico Sturzenegger informou que o corte chegava a 77,5 mil empregos, equivalentes a 21% dos postos do Estado nacional naquele período. Os 20 mil postos previstos no novo plano ainda não fazem parte desse total.
Novo plano e redução de postos desde dezembro de 2023
- 77,5 milPostos já eliminadosDado divulgado em setembro de 2026
- 21%Redução no Estado nacionalDesde dezembro de 2023
- oito anosImpedimento para retornoPara quem aderir ao programa
Como está o emprego na economia argentina?
O setor privado formal perdeu 270 mil postos desde dezembro de 2023, segundo fontes sindicais citadas pelo g1. Sturzenegger, por sua vez, afirma que 400 mil vagas foram criadas, mas esse número inclui trabalhadores informais e autônomos.
A informalidade chegou a cerca de 45% do mercado de trabalho argentino, após subir três pontos percentuais em três anos. O período também é marcado por medidas de austeridade fiscal e queda da atividade econômica.
Quem é Javier Milei e qual sua posição política?
Javier Gerardo Milei é economista e presidente da Argentina desde 10 de dezembro de 2023. Líder do Partido Libertário e da coalizão La Libertad Avanza, ele defende a redução dos gastos do governo para equilibrar o orçamento.
Milei é associado à direita libertária e identifica-se como minarquista ou libertário liberal. No governo, a política de redução do tamanho do Estado ficou conhecida como “motosserra”.
Foto de capa: Quirinale/Wikimedia Commons (Attribution)
