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Comunidade Descaso

Após inauguração, pais se revoltam com demora no Centro de Atendimento da Criança

Crianças precisam esperar mais de quatro horas e mesmo assim não foram atendidas

17/05/2022 às 15h35 Atualizada em 17/05/2022 às 23h44
Por: Larissa Godoi
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Reprodução/Arquivo pessoal
Reprodução/Arquivo pessoal

Nesta segunda-feira (16), inaugurou o Centro de Atendimento da Criança no espaço onde funcionava a UBS Sady Silveira, na região de Olarias. O Centro tem como objetivo se dedicar ao atendimento de casos leves como dores de garganta, abdominais, de cabeça ou de ouvido, febre e vômitos, além de sintomas gripais em crianças de até 11 anos de idade. Atualmente o local conta com três salas de atendimento médico, farmácia, salas para fazer a triagem, medicação, observação, coletas e de pequenos procedimentos.

Apesar da tentativa de diminuir os casos de demora no atendimento às crianças nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e na UPA Santa Paula; após o fechamento do Pronto Atendimento Infantil (PAI), no Hospital Universitário Materno-Infantil (HUMAI); ao serem direcionados ao Centro de Atendimento, pais demonstram insatisfação com a demora do serviço oferecido.

Na tarde de ontem, Carla Antunes* precisou levar sua filha de nove anos ao posto de saúde Júlio de Azevedo, no bairro Jardim Carvalho, após ela apresentar sintomas respiratórios. Chegando no local, às 13h30, foi informada que o estava de plantão no Centro de Atendimento da Criança. Após seguir os protocolos de testagem para a Covid-19, ela tinha duas opções: consultar com a enfermeira que estava na UBS e faria o agendamento da consulta com o médico apenas na quarta-feira (18) ou se deslocar até o centro pediátrico.

Com medo que o caso da sua filha se agravasse, optou pelo atendimento médico no centro especializado a crianças. “Como eu sabia que o quadro dela poderia agravar, optamos por uma consulta médica no Centro. Fomos até lá confiando nas informações sobre a inauguração, que diziam que o atendimento estava demorando em torno de 20 minutos”, conta.

Ao chegar no Centro às 15h20, encontrou o local totalmente lotado e só às 17h30 a sua filha passou pela triagem, naquele momento a febre da criança tinha baixado, então aguardaram para a consulta médica. Carla conta que o cenário que viu enquanto esperava pelo atendimento médico foi desesperador. “Muitas crianças com tosse, febre, coriza. Mães exaustas, sozinhas com dois ou mais filhos, amamentando sentadas em cadeiras infantis porque todas as demais estavam ocupadas”, relata. Com a superlotação, mães e crianças precisaram aguardar lá fora na expectativa de serem chamadas.

“Tinha criança para fora no frio e no vento, porque não tinha onde se acomodar lá dentro.”

Os sintomas da filha de Carla se agravaram, fazendo com que ela ficasse agitada. Às 19h30, ela acabou optando por levar a criança para uma consulta particular, pois até o momento não haviam sido chamadas no Centro. “Quatro horas de espera! Um absurdo, um descaso. A recepção lotada”, expressa. Além dela, outras mães também estavam desistindo da consulta e indo em busca de médicos particulares para os seus filhos.

“Que tristeza a situação da saúde pública em Ponta Grossa. Desesperador ver tantas mães e seus filhos aglomerados por horas em um espaço pequeno, aguardando por um atendimento”, lamenta. Ela cobra ainda providências do poder público para que atendimento médico infantil ganhe mais agilidade. “Até quando ficaremos a mercê de situações como esta? Graças a Deus pude levar minha filha a uma consulta particular, mas e se não pudéssemos? E todas as mães que não puderam?”, questiona. 

 

*A identidade da entrevistada foi preservada com este nome fictício.

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