Diogo Stanley: “Minha música fala sobre transformação, é isso o que o rap me ensinou”

 Diogo Stanley: “Minha música fala sobre transformação, é isso o que o rap me ensinou”

Conheça a trajetória do músico ponta-grossense que trabalha para conquistar seu espaço no cenário do rap paranaense

Por Cícero Goytacaz

Diogo Januário é natural de Ponta Grossa (PR), tem 34 anos e é conhecido pelo seu nome artístico Stanley. É filho de Marcos Martins Januário (1959-2007), famoso na cidade por dar vida ao icônico Tião Fritz, o mascote da München Fest, entre 1997 e 2007. Aos 4 anos foi morar em Osasco, onde teve seu primeiro contato com rap, em meados de 1994. Stanley conta que desde pequeno, a música esteve presente em sua vida.

Inspirado em Racionais MC’s, Planet Hemp, Gabriel O Pensador, Sabotage e outros ícones do rap, Stanley passou a se dedicar à música no início dos anos 2000, quando voltou a morar no Paraná. Especificamente, foi durante um show do conjunto de rap local Federação Repúbli-k, formado por Juliano ‘Gafanhoto’, Alex ‘Zero Meia e Flávio Valvassori, o DJ Banga, que o desejo em se tornar rapper despertou em Stanley.

“Foi nessa época que eu vi o Federação Repúbli-k se apresentando e falei para o meu amigo ‘olha, a gente consegue fazer essa parada aí também’, porque os caras eram pessoas comuns, gente como nós”, conta Stanley. “Então fui lá, comprei uma caixa de som amplificada, também do meu tio, que tinha um clube, comprei um microfone e um rádio bolinha. Era assim que nós ensaiávamos”, completa.

O músico destaca também era uma época onde não se tinha tanto acesso às informações como hoje e pouco conhecimento se tinha sobre a história do rap, a não ser em revistas musicais. “Lembro que a gente pedia para o dono de uma banca de jornais de Carambeí, trazer as revistas sobre música, que falavam mais sobre o rap, porque era difícil ter acesso a esses conteúdos”, acrescenta.

O privilégio de crescer em uma casa onde se ouvia bastante música

Para Stanley, foi fundamental ter influências de outros gêneros musicais em sua carreira. Ele recorda também que seu pai foi um grande incentivador, pois costumava ouvir muitos sambas, pagodes, MPBs, entre outros estilos. “Eu ouvia muito Tim Maia, Fundo de Quintal, Benito de Paula, Roberto Carlos, Rita Lee, gosto muito de Djavan. Depois eu vim a entender o valor musical disso tudo. Cresci numa casa que tocava bastante música, final de semana, dia de semana, nesse quesito eu fui privilegiado de certa forma”, recorda.

O rapper conta também que morou com seus tios, que tinham um clube de festas musicais. Foi quando teve contato também com músicas internacionais, sertanejo, xote e músicas gauchescas, do estilo ‘vaneirão. “Inclusive uma curiosidade, uma música que lancei no rap, chamada ‘Maria e José’, eu escrevi no meio de um baile de vaneirão, de música gaúcha”, compartilha, destacando seu gosto musical eclético.

Duas décadas de dedicação ao Rap

Diogo Stanley já tem 20 anos de carreira no rap e muitos trabalhos lançados, como ‘A Rua Ensina a Viver’, ‘Hip Hop na Véia’, o qual foram produzidas mil cópias, segundo o cantor; ‘Mosaico’, que tem a participação de Mano Fler; ‘Luz Não Confia Na Vela’, com participação de Chico Real, rapper de São Paulo. Stanley destaca também que essa gravação foi realizada em São Paulo, no estúdio Casa 1, que é referência no rap nacional, em uma época de extrema importância em sua vida.

“Nessa época, minha filha tinha acabado de nascer, prematura, então foi um momento muito delicado, no qual ele me apoiou de maneira muito forte. Eu estava sem dinheiro e mesmo assim ele me apoiou, fez questão da minha presença, participei da música ‘Nascemos Reis’, que é uma das rimas que eu mais gosto”, recorda Stanley.

Seu primeiro trabalho solo foi ‘Maria e José’, a canção que foi escrita no meio do baile gaúcho. Ele conta que trabalhou arduamente durante três anos até conseguir lançar a música. Outro trabalho que Stanley destaca é ‘Sangue No Olho, Samba No Pé’, que enaltece “a união dos pretos e dos brancos”, e de suas diversidades culturais. “Minhas músicas falam bastante sobre o ser humano se superar e se transformar, porque é o que o rap faz, é isso que o hip hop me ensinou. Assim é minha vida, então minha música traz isso tudo”, comenta.

Os desafios na carreira musical de um rapper

Para Stanley, sua maior dificuldade na carreira é não poder se dedicar apenas à música. Ele relata que tem a necessidade de seguir em outro emprego, para poder sustentar sua família e também seu trabalho musical. “Eu queria muito poder viver disso (da música), para investir nos meus trabalhos, em equipamentos para gravar as músicas, investir em mídia, em marketing, tudo isso, sem depender de outro trabalho”, descreve seu desejo.

Outro fato que Stanley percebe como um desafio na carreira de rapper é morar em uma região do país onde o rap não é tão presente na vida das pessoas, como acontece em capitais como São Paulo e Rio de Janeiro. “O sul do Brasil não é um lugar que aceita muito o rap, que tem muitos eventos, que contratam muitos shows, não é um mercado bem fomentado aqui no sul ainda”, percebe.

“Queira ou não queira, o rap é um segmento de protesto, que luta contra muitas coisas, muitas causas, isso dificulta entrar no mercado. (…) Não é porque eu canto rap que eu não sou igual ao ‘mano’ que canta sertanejo, ou ao ‘mano’ que canta pagode, entende? Então é muito difícil fazer o rap ter um alcance que todos possam ouvir, entender e respeitar, ainda existe um escudo que impede isso”, desabafa Stanley, a respeito marginalização do rap, que ainda é visto com preconceito na sociedade atual.

Projetos futuros

O próximo trabalho a ser lançado por Diogo Stanley será o EP Rugas (Rap Underground Alternative Society), que contará com os singles ‘Maria e José’, ‘Wizard’ e ‘Sangue No Olho, Samba No Pé’, que já estão disponíveis, além de pelo menos outras sete músicas que ainda serão lançadas e definidas para o álbum.

Além de Rugas, outro lançamento de Stanley será o trapfunk “Deixa Eles Falar”, em parceria com o MC Bruno SJ, cantor ponta-grossense da região do Costa Rica. Segundo o músico, o clipe será lançado em breve. Diogo Stanley também participará de outros projetos, com o Coletivo Salve Salve Mic On e também com o rapper Melk, da cidade de Londrina.

Confira o trabalho do artista:

Imagens: Reprodução/Whatsapp.

Confira a história de Tião Fritz:

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