24 de setembro de 2021

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Janeiro Branco: Isolamento social é considerado “o maior experimento psicológico do mundo”

 Janeiro Branco: Isolamento social é considerado “o maior experimento psicológico do mundo”

Campanha de conscientização criada há sete anos acontece anualmente em todo o Brasil, no primeiro mês do ano e, em 2021, discute impacto da pandemia na saúde mental

Por Cícero Goytacaz

Durante o mês de janeiro acontece a campanha brasileira “Janeiro Branco”, em prol da conscientização sobre os cuidados com a saúde mental. A iniciativa foi criada em 2014, no estado de Minas Gerais, idealizada pelo psicólogo e professor Leonardo Abrahão. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS-2020), o Brasil é o segundo país com o maior número de casos de depressão nos continentes americanos, acometendo 5,8% da população brasileira – atrás somente dos Estados Unidos (5,9%).

“As ações dessa campanha priorizam debates sobre o que pode estar adoecendo as pessoas mentalmente, levantando discussões a respeito da depressão, transtornos de ansiedade generalizada, dentre outros transtornos, e estimulando as pessoas a falarem sobre seus medos, incertezas e fragilidades, aprendendo a enfrentar e lidar com seus conflitos internos”, explica a psicóloga Vilma Prestes Soares, que atua na Atenção à Saúde/Medicina Preventiva da Unimed Ponta Grossa.

Ela destaca que, ao longo dos últimos meses, o enfrentamento da pandemia e a necessidade do isolamento social acabou evidenciando os distúrbios emocionais e psíquicos das pessoas. De acordo com a psicóloga, muita gente procurou ajuda psicológica para entender as dificuldades que sentiram em conviver consigo mesmos. “A falta do contato físico, o distanciamento das pessoas queridas e o estar consigo mesmo, por mais tempo, trouxeram à tona esses problemas, antes mascarado pela correria do dia a dia”, detalha Soares.

Vilma comenta também o trabalho realizado em Ponta Grossa nesta conscientização. “A Unimed, por exemplo, promoveu diversas campanhas nas redes sociais, além de lives abordando o tema, com diferentes profissionais, priorizando o autocuidado, promovendo bem-estar e equilíbrio emocional na pandemia. De certa forma, contribuiu para esse despertamento sobre a importância do cuidado com a saúde mental”, conta.

Isolamento social é considerado “o maior experimento psicológico do mundo”

Para a psicóloga, o confinamento imposto pela Covid-19 desafiou toda a sociedade a se reinventar em diversos aspectos da vida, no intuito de minimizar os impactos do isolamento social na vida mental das pessoas. “O homem é um ser social e o que se nota é que, ao menor sinal de afrouxamento das medidas de contenção e isolamento, muitos cederam ao apelo da sua vontade de estar junto à natureza e em companhia de outras pessoas, a despeito dos riscos da contaminação”, frisa.

Os cuidados com a saúde mental devem ser os mesmos em qualquer situação, com ou sem pandemia, alerta Vilma. “Nossa mente é o ‘carro-chefe’ da nossa vida. É a lente através da qual enxergamos o mundo, as pessoas, o futuro e nós mesmos, e vai determinar o tipo de comportamento que iremos ter. Cultivar bons pensamentos trará bons sentimentos, um comportamento mais funcional e facilitará passar pelo momento difícil que todos estamos vivenciando”, recomenda. Ela acrescenta que, se os pensamentos têm causado sofrimento, a psicoterapia é indicada para ajudar a lidar com os momentos de crise e ansiedade”, analisa. “

A respeito dos caso de aglomerações que envolvem adolescentes, a psicóloga lembra que nota a acrescenta que os jovens têm maior tendência para comportamentos de risco. “É inerente ao jovem viver intensamente o ‘hoje’. De certa forma, ele pensa que o futuro está muito distante, ignorando que o futuro depende das atitudes e escolhas de hoje”, diz. “Cabe às famílias, pais e responsáveis, quando perceberem tais comportamentos, chamarem a atenção desses jovens à responsabilidade dos cuidados com a própria saúde e com a saúde coletiva, principalmente em tempos de pandemia”, complementa.

“Trabalhar com a psicologia tem sido um desafio constante”, declara a psicóloga

Vilma Soares trabalha com o atendimento psicológico de pessoas adultas, em sua maioria mulheres, na faixa etária dos 30 a 55 anos. Ela conta também que o preconceito com relação à ajuda psicológica ainda existe na sociedade, mas em uma escala menor em relação há anos atrás. “Noto que as pessoas relutam antes de procurar ajuda psicológica, alguns nem comentam que estão fazendo terapia, talvez por vergonha ou por não quererem se expor, mas está ficando cada dia mais normal cuidar da saúde mental, graças a campanhas de conscientização como Setembro Amarelo e Janeiro Branco”, percebe.

Para Vilma, trabalhar com psicologia tem sido um desafio constante. “O objeto de estudo é o homem em sua integralidade, pluralidade e diferenças. Cada paciente, ou cliente, vai ser único, um universo a ser explorado”, conta. Ela revela que um dos momentos mais gratificantes é ver a mudança e o crescimento pessoal do paciente durante o processo psicoterapêutico. “Nosso papel, enquanto psicólogos é oferecer a escuta ativa e empática, acolher a queixa, sem julgamentos, e descobrir junto com cada paciente o caminho para o equilíbrio emocional e para a sanidade mental”, conclui.

Imagem: Divulgação/Assessoria Unimed.

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