Empresários de PG pedem reabertura do comércio

 Empresários de PG pedem reabertura do comércio

Em reunião com prefeita, comerciantes se colocaram à disposição para ajudar no combate à pandemia, mas pedem que estabelecimentos voltem a funcionar 

Das assessorias

Empresários membros da Associação Comercial, Industrial e Empresarial de Ponta Grossa e de outras entidades representativas participaram de uma reunião virtual com a prefeita Elizabeth Schmidt na manhã desta quarta-feira (03), onde discutiram o decreto que impôs restrições ao funcionamento de estabelecimentos comerciais em Ponta Grossa e demais cidades paranaenses. 

Os empresários expuseram seus pontos de vista, admitiram a preocupação com a gravidade do momento imposto pela pandemia do Covid-19 e suas variantes, mas pediram que o Poder Público reveja alguns pontos das medidas que impedem o funcionamento do comércio e prejudicam o setor. Os empresários ainda se colocaram à disposição para auxiliar os governos para evitar que a situação em hospitais se agrave ainda mais. 

A diretora de Comércio da ACIPG, Flávia Barrichello, relatou as dificuldades que os comerciantes estão enfrentando por estarem com as portas fechadas, e repassou o pedido de comerciantes do município para que eles possam voltar a funcionar. “Está doendo muito, nós entendemos a gravidade da situação, mas temos que fazer uma única solicitação: para que trabalhemos em conjunto e o quanto antes estejamos abertos, para conseguirmos trabalhar e honrar nossos compromissos”, afirmou. A diretora ainda mencionou algumas alternativas que possam vir ser adotadas, como a possibilidade de delivery ou escala de horários para diferentes setores. “Uma busca apontada pelos lojistas é para que possamos fazer o delivery, ou trabalhar em horários alternativos, de forma escalonada, alternada, para não lotar o transporte público, que nos últimos dias teve ônibus abarrotados, o que é inadmissível” complementou a diretora. 

Uma campanha de conscientização sobre a importância do uso da máscara e dos riscos de contaminação se não usá-la foi sugerida pela Diretora de Associativismo, Bairros, Núcleos, Núcleos Setoriais e Multissetoriais, Adriana Dural. “Sugiro que faça uma campanha conscientizando sobre o uso de máscara, que é algo que precisa ser reforçado. Vejo que muitas pessoas ainda relutam em utilizá-la, inclusive os mais jovens”, comentou. 

O transporte público foi outra preocupação manifestada pelos participantes da reunião, e o Diretor de Novos Serviços da ACIPG apontou algumas medidas que podem ser analisadas para evitar o aumento da população. “Não adianta tomar todos os cuidados se tivermos um gargalo que é a mobilidade urbana. Todo o transporte é concentrado nos ônibus, a gente tem que manter a mesma quantidade de ônibus, já que grande parte da população usa esse sistema. Esse trabalho tem que ser feito com pouco mais de cuidado. Acredito que é preciso que se repense a flexibilização de horários de acordo com o tipo de serviço, um rodízio do funcionamento de setores. Temos que propor soluções que realmente resolvam, de uma forma que a pessoas trabalhem em horários diferentes, por exemplo”, sugeriu. 

O setor da educação também foi abordado, e para Osni Mongruel, diretor de Educação da ACIPG, alguns pontos das medidas precisam ser analisados e esclarecidos. “Em nossa análise, na educação infantil e ensino fundamental I, nessa faixa etária seria importante o retorno, a dificuldade do ensino remoto para estas crianças já se mostrou mais complexo. Além disso, no decreto não há a confirmação se a educação é ou não um serviço essencial, então ficamos em uma espécie de limbo a respeito disso”, argumentou. 

BARES E RESTAURANTES

O Diretor de Turismo da ACIPG, Daniel Wagner, pediu atenção do Poder Público para algumas diferenciações de eventos, além de propor algumas flexibilizações para bares e restaurantes. “Acredito que pode ser reveja a diferenciação entre eventos como festas, churrasco e similares, de reunião e treinamentos, onde não se retira máscara e se cumpre os protocolos. E quanto ao setor de bares e restaurantes, nosso pedido é que ao menos se volte ao que era o decreto anterior, com toque de recolher e outras limitações, o que já ajudaria a atenuar a situação”, disse. 

A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (ABRASEL) também esteve presente no encontro virtual, e expôs as complicações do setor, ao mesmo tempo em que se colocou à disposição para auxiliar em outras iniciativas de combate à expansão da contaminação por Covid-19. “Não somos coniventes com bares e restaurantes que extrapolam, não apoiamos festas e aglomerações, que não trabalhem de acordo com a prevenção. Nosso pedido é de reabertura, mas de uma forma segura, para que ajude a conter o vírus. Precisamos das portas abertas, mas trabalhar com segurança”, afirmou Leila Pires, diretora executiva da Abrasel Centro Sul.

Urubatan Alves Sena, representante da Abrasel em Ponta Grossa reforçou o desejo de reabertura do comércio e as dificuldades que o setor vem enfrentando há mais de um ano “É preciso que se esclareça qual é a responsabilidade do comércio nestes números que se agravaram? Não podemos bancar essa conta, não temos mais condições de assumir esse custo, de permanecer de portas fechadas, isto está nos levando a falência. Nosso pedido é para que não se prorrogue o decreto e o lockdown, isso nos preocupa. Não sei se suportaremos mais uma semana fechada”, relatou. 

EXPLICAÇÃO DA PREFEITURA

A Prefeitura de Ponta Grossa, por sua vez, expôs números e detalhes sobre a grave situação que o município enfrenta atualmente. A prefeita Elizabeth Schmidt e o Secretário de Saúde Rodrigo Manjabosco expuseram um panorama do sistema de saúde em Ponta Grossa e alertaram para a gravidade que a cidade encara neste momento. 

Os representantes municipais informaram que este é o período mais grave que a cidade enfrenta desde o início da pandemia, e que as medidas mais duras se justificaram para tentar atenuar o caos eminente no município. “A nova variante do vírus vem aumentando muito o índice de contaminação em Ponta Grossa, resultando na lotação de leitos de UTI e enfermaria da cidade. Não é uma situação fácil, mas é um freio de arrumação para que a ocupação dos leitos diminua, e nos últimos sete dias começamos a ter um pequeno decréscimo”, argumentou o secretário de Saúde. 

“A nova variante trouxe um cenário desajustado, com elevação do número de óbitos. Até então o jovem não era afetado por esta doença, hoje é diferente. De 20 a 39 anos a taxa de óbito vem aumentando, então não é uma doença só de idoso, mas que atinge a faixa de idade da população economicamente ativa. A média de dias de internação é a maior, a taxa de letalidade subiu vertiginosamente. E o problema maior são os pacientes em estado grave sem conseguir um leito de UTI, já que estamos com ocupação máxima de todos os leitos”, alertou Manjabosco. 

A prefeita Elizabeth se colocou à disposição para avaliar cada pedido feito pelos empresários, mas endossou a fala do secretário, alertando para o perigo real que o momento apresenta. “É importantíssimo termos uma troca de ideias, esse intercambio em um momento tão difícil. Esse luto não é mais individual, é coletivo, sabemos que dói muito. E essa medida era justamente para que haja uma freada, uma interrupção, porque a gente viu que o colapso da saúde está acontecendo. O objetivo é evitar as aglomerações, internamentos, óbitos. Sabemos que é um sacrifício de todos, mas o momento exige firmeza”, disse. “Todas essas questões apresentadas vão ser levadas em consideração. Queremos voltar à normalidade, vou repassar o que foi dito aqui para o governador, e tenho consciência de que a economia está sendo prejudicada, mas também estamos pensando na vida e na saúde de todos nós”, complementou. 

O presidente da ACIPG, Douglas Fanchin Taques Fonseca agradeceu pelo empenho da administração municipal em ouvir os comerciantes, reconhecendo que o momento é difícil para todos, mas espera que uma solução seja encontrada o quanto antes. “Queria agradecer de a prefeita em nos atender, sabemos que o problema é sério e não é fácil de resolver. Temos que discutir problemas pontuais de cada município. É difícil, claro, mas temos que tentar encontrar modelos e alternativas que seriam viáveis para Ponta Grossa. Todos nós temos que pensar no que é possível fazer”, finalizou.

Informações e imagens: Divulgação/ACIPG

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