
Escala 6×1: estudo projeta alta de 8% a 11% nas mensalidades escolares
Projeção considera o custo de um segundo dia de descanso remunerado para professores horistas da rede privada.
Um estudo encomendado pela Confederação Nacional dos Estabelecimentos de Ensino (Confenem) projeta que o fim da escala 6×1 pode elevar as mensalidades da educação privada em 8% a 11%. A estimativa considera o pagamento de um segundo dia de descanso semanal remunerado a professores contratados por hora-aula.
A mudança afeta escolas e instituições de ensino superior em todo o país, setor com 1,4 milhão de trabalhadores formais, segundo a Federação Nacional das Escolas Particulares (Fenep). Em reportagem publicada em 21 de outubro de 2026, representantes das instituições disseram que ainda buscam uma regra específica para calcular o descanso dos professores horistas.
O que é a escala 6×1 e o que muda
Na escala 6×1, o trabalhador atua durante seis dias e descansa um por semana. A mudança descrita na reportagem prevê cinco dias de trabalho, dois de descanso e limite de 40 horas semanais.
O ponto em discussão na educação privada é como pagar o segundo dia de descanso aos professores horistas. Segundo a reportagem, a emenda constitucional prevê dois dias de descanso remunerado, mas não traz uma regra específica para calcular esse pagamento.
Quem trabalha na educação privada será afetado
A Fenep contabiliza 935,3 mil professores entre os trabalhadores formais do setor; os demais ocupam outras funções. De acordo com a entidade, 28,9% dos docentes e 63,4% dos outros colaboradores trabalham mais de 40 horas por semana.
As instituições também terão de organizar suas atividades em torno dos dias de descanso. Ao jornal O Globo, o presidente do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado da Bahia, Wilson Abdon, citou possíveis mudanças no atendimento às famílias, nas avaliações aos sábados e nos eventos de fim de semana.
Como funciona o descanso do professor horista
O professor horista recebe por hora-aula, com o descanso semanal remunerado discriminado separadamente no contracheque. Na escala 6×1, esse pagamento corresponde a um sexto do valor mensal das horas-aulas, conforme o cálculo apresentado na reportagem.
Para um professor que recebe R$ 5 mil em horas-aulas, o descanso acrescenta R$ 833,33, levando o total a R$ 5.833,33. Se o cálculo passar a considerar dois quintos para remunerar os dois dias de descanso, o adicional será de R$ 2 mil e o total chegará a R$ 7 mil. A aplicação desse cálculo é justamente o ponto que as entidades do setor querem esclarecer.
Quanto podem subir os custos e as mensalidades
O estudo encomendado pela Confenem apresenta dois cenários para a folha de pagamento da educação privada. As cifras são projeções, não aumentos já aplicados pelas escolas.
Estimativas do cenário com pagamento de um segundo dia de descanso
- 17%Alta na folhaNo cenário considerado mais provável
- R$ 17,3 bilhõesCusto adicional anualProjeção para a educação privada
- 8% a 11%Alta nas mensalidadesEstimativa do estudo
| Cenário considerado pelo estudo | Alta projetada na folha | Custo adicional por ano |
|---|---|---|
| Sem mudança no pagamento do descanso semanal | 9% | R$ 9,3 bilhões |
| Com pagamento do segundo dia de descanso | 17% | R$ 17,3 bilhões |
No segundo cenário, o estudo estima que as mensalidades possam subir 8% a 11%. O levantamento não informa quanto cada escola cobraria; as entidades do setor defendem uma definição sobre o pagamento do descanso antes da aplicação da nova regra.
